Chris Paul chega à 1ª final da NBA após 16 anos e cala críticos

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Por Redação do ge — Rio de Janeiro

Quantas vezes na sua vida você já ouviu que um jogador de 36 anos, que tem um histórico de lesões, já está em fim de carreira, caindo de produção ou já não entrega mais o que se espera dele? Certamente algumas. Chris Paul também conviveu com algumas dessas críticas nos últimos anos.

Porém o armador tratou de silenciar elas com uma temporada exuberante coroada por uma vaga nas finais da NBA com o então desacreditado Phoenix Suns. Chris chegou ao jovem elenco de Phoenix nesta temporada e foi exatamente o toque de experiência que a equipe, que não ia aos playoffs desde 2009-2010, precisava para explodir. Antes chacota, Phoenix chega à decisão com status de leve favoritismo.

Chris Paul é um armador clássico, daqueles com leitura de jogo excepcional, que distribui muitas assistências e castiga em bolas de média distância. Tão bom em todos esses aspectos que ganhou o apelido de Point God (uma referência ao nome da posição em inglês “Point Guard” e o termo God “Deus”). Em uma era que as bolas de três são armas obrigatórias aos construtores, CP3 saiu dos holofotes, foi tratado como ultrapassado.

“Há dois anos, estavam me descartando. É muito bom fazer parte disso”, destacou o armador.

Chris Paul conversa com DeAndre Ayton e Devin Booker — Foto: Harry How/Getty Images

Chris Paul conversa com DeAndre Ayton e Devin Booker — Foto: Harry How/Getty Images

Nos Suns encontrou tudo que precisava para retomar o auge de sua carreira. Ao lado de um ala-armador excepcional ofensivamente, como Devin Booker, e um jovem pivô, DeAndre Ayton, que precisava lidar com a pressão de ser tratado como um erro no draft, Paul maximizou suas capacidades e fez todo o time evoluir.

– Chris Paul foi a melhor coisa que aconteceu na minha carreira. Digo isso para ele todos os dias. Ele é o único colega de time que realmente me pressionou para ser melhor. Foi como um irmão mais velho, sabendo o que eu conseguia fazer e o que eu nunca imaginava que conseguiria – afirmou Ayton.

Relação com Monty Williams

 

Chris Paul reencontrou em Phoenix um velho conhecido: Monty Williams. Os dois trabalharam juntos por uma temporada, entre 2010 e 2011, no New Orleans Hornets, logo antes do armador sair para o Los Angeles Clippers. E Chris elogiou o período que teve com o técnico.

Monty Williams Chris Paul — Foto: Christian Petersen/Getty Images

Monty Williams Chris Paul — Foto: Christian Petersen/Getty Images

– Trabalhei com Monty Williams por um ano, no começo da carreira e foi uma temporada especial. Às vezes, você tem técnicos que são apenas técnicos. Monty é muito mais que isso. Nosso time está sendo bem comandado e temos o que precisamos – afirmou CP3.

Juntos, fizeram a 7ª melhor campanha do Oeste, chegando aos playoffs, mas sendo eliminados pelo Los Angeles Lakers de Kobe Bryant na primeira rodada do mata-mata. Monty não poupa elogios ao armador e amigo.

– Chris significa muito para a minha carreira e a minha vida. Contei isso para algumas pessoas, mas no pior momento da minha vida, Chris estava lá. E em um dos melhores momentos da minha carreira, ele está aqui. Sou grato a Deus por Chris e todos os rapazes – concluiu o técnico.

Começo nos Hornets, decepções em LA

Chris Paul em ação pelo New Orleans Hornets — Foto: Icon SMI/Icon Sport Media via Getty Images

Chris Paul em ação pelo New Orleans Hornets — Foto: Icon SMI/Icon Sport Media via Getty Images

Selecionado pelo New Orleans Hornets (hoje Pelicans), em 2005, depois de brilhar na universidade de Wake Forest, Paul se consolidou como um dos construtores de jogo mais inteligentes e capazes da NBA, mas o estrelato só chegou mesmo quando foi para o Los Angeles Clippers, em 2011.

Na metrópole californiana, formou um dos principais times da liga ao lado de Blake Griffin e DeAndre Jordan. Com os três no auge, o time era um dos melhores da Conferência Oeste. Porém nos playoffs apenas acumulou decepções, com direito a perder uma vantagem de 3 a 1 para os Rockets nas semifinais em 2015.

Chris Paul Jazz x Clippers NBA — Foto: Reuters

Chris Paul Jazz x Clippers NBA — Foto: Reuters

O quase em Houston

 

O Houston Rockets apostou, em 2017, em Chris Paul para ser a dupla que faltava para levar James Harden ao primeiro título da carreira. O primeiro ano da parceria já provou que era uma decisão acertada. Juntos, conduziram a equipe texana à melhor campanha do Oeste e às finais de conferência.

Porém, quando tinham uma vantagem de 3 a 2 contra os Warriors na decisão, CP3 sofreu uma lesão que o tirou dos últimos dois jogos. Do banco, ele viu Kevin Durant, Stephen Curry e companhia buscaram a virada para o Golden State Warriors.

Chris Paul comanda o ataque dos Rockets contra os Warriors — Foto: Troy Taormina-USA TODAY Sports/Reuters

Chris Paul comanda o ataque dos Rockets contra os Warriors — Foto: Troy Taormina-USA TODAY Sports/Reuters

O enorme contrato e os problemas físicos do armador passaram a ser problemas em Houston, que, após outra eliminação para os Warriors no ano seguinte, decidiu usar ele de moeda de troca com o Oklahoma City Thunder para trazer Russell Westbrook, em busca de uma chance final de título com o “Barba”.

Em Oklahoma, Chris encontrou um time em reconstrução e pensando no draft, mas ainda assim fez o Thunder chegar aos playoffs e deu muito trabalho para o Houston Rockets, perdendo apenas no jogo 7 da primeira rodada.

Recomeço em Phoenix

 

O bom desempenho em Oklahoma recolocou Chris Paul em evidência, o suficiente para que os Suns apostassem na chegada do veterano para trazer o que faltava, apesar do contrato muito caro de cerca de R$ 213 milhões em 2020-2021 e R$ 227,7 milhões em 2021-2022.

Em uma liga dominada pelos times das panelinhas de astros, como o Brooklyn Nets, Chris escolheu liderar um jovem time na busca pela final inédita e teve sucesso. Foram 51 vitórias e 21 derrotas e a segunda melhor campanha da Conferência Oeste.

Chris Paul Suns NBA — Foto: Dustin Bradford/Getty Images

Chris Paul Suns NBA — Foto: Dustin Bradford/Getty Images

Na caminhada na pós-temporada, eliminou ninguém menos que o Los Angeles Lakers de LeBron James, o Denver Nuggets do MVP Nikola Jokic e o Los Angeles Clippers de Paul George. Na decisão, terá pela frente o Milwaukee Bucks de Giannis Antetkounmpo, duas vezes MVP. Quem duvida que Phoenix pode vencer?

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