Entenda como o Flamengo conseguiu fazer investimento recorde para contratar Paquetá

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O Flamengo pagará 42 milhões de euros (R$ 260 milhões) ao West Ham (Inglaterra) por Lucas Paquetá. É o reforço mais caro da história não só do clube, mas do futebol brasileiro. Como o time rubro-negro conseguiu fazer este investimento?

Em 2013, o Flamengo começou uma reestruturação financeira sob direção do presidente Eduardo Bandeira de Mello. A nova diretoria adotou uma política rígida, priorizando o pagamento de dívidas, controle de gastos e profissionalização da gestão. Embora os resultados esportivos imediatos tenham sido modestos, apesar do título da Copa do Brasil, esse processo foi fundamental para recuperar a credibilidade do clube no mercado, equilibrar as finanças ao longo dos anos seguintes e criar a base econômica que permitiria ao Fla voltar a investir forte no futebol.

Nos anos seguintes, as contratações de nomes como Paolo Guerrero, Diego Ribas e Everton Ribeiro causaram impacto no futebol brasileiro. Mas o reflexo das medidas administrativas começou a ser sentido mesmo em 2019, ano em que o clube iniciou a gestão Rodolfo Landim, investiu em reforços como Arrascaeta, Gabigol, Rafinha, Filipe Luís, Gerson, Pablo Marí… e teve temporada histórica com os títulos do Brasileirão e da Libertadores.

Desde então, o Flamengo passou a colher os frutos da mudança na administração. Com as contas equilibradas e a maior capacidade de investimento, o clube montou elencos altamente competitivos, manteve salários em dia, atraiu jogadores de alto nível e estruturou melhor seu departamento de futebol. Esse cenário permitiu conquistas nacionais e internacionais, com o time disputando quatro finais de Libertadores no período e vencendo três.

Mas até então o clube não tinha feito ainda um investimento do tamanho que fez em Lucas Paquetá e que transforma esta janela na mais agressiva da história rubro-negra. Na primeira janela de 2024, o Flamengo teve o gasto recorde de R$ 163 milhões nas contratações de Léo Ortiz, Viña e De la Cruz. Em agosto daquele ano, o Fla contratou Carlos Alcaraz do Southampton (Inglaterra) por 20 milhões de dólares (R$ 110 milhões) — o argentino se tornou o reforço mais caro da história do clube até então.

Um ano depois, o posto foi tomado por Samuel Lino, contratado do Atlético de Madrid (Espanha) por 22 milhões de euros (R$ 143 milhões), em julho de 2025. Ali, o Flamengo já se preparava para bater recordes no mercado de transferências, fazendo a janela do meio da ano a de maior investimento da sua história: quase R$ 300 milhões gastos em quatro reforços.

O terreno fértil mais recente começou a ser preparado no início de 2025, quando Bap assumiu a presidência. O Flamengo reviu contratos, enxugou o número de funcionários e mudou a dinâmica da administração em busca de lucro. Melhorou a operação do Maracanã, fez mudanças no programa de sócio-torcedor e se posicionou duramente nas negociações com patrocinadores — rompeu com a PixBet e fechou com a Betano o maior contrato de patrocínio do futebol brasileiro.

O Flamengo também mudou a postura na venda de jogadores e teve paciência para faturar mais nas negociações. Além disso, o Fla é o time com mais valores arrecadados em premiações no futebol brasileiro em 2025. Sem contar o Brasileirão, o clube recebeu R$ 375.744.130,00.

Isso mudou o patamar financeiro do Flamengo em pouco tempo. Ao fim de 2025, a diretoria anunciou um faturamento recorde de mais de R$ 2 bilhões, o que tornou o clube o primeiro brasileiro a superar a marca em uma única temporada. O recorde rubro-negro até então tinha sido alcançado em 2023, com arrecadação de R$ 1,37 bilhão. Em 2024, a receita foi de R$ 1,28 bilhão.

O recado da diretoria rubro-negra ao mercado foi de que iria gastar mais do que todos os clubes nas janelas nas próximas temporadas. A “ameaça” está se cumprindo. Bap já deixou claro que o desejo é que o Flamengo se torne o “Real Madrid das Américas” em termos administrativos, mas um Bayern de Munique no campo. Essa segunda ideia se justifica com a tentativa e insistência na contratação de Kaio Jorge, destaque do Cruzeiro. A medida deve seguir.

 

Por Emanuelle Ribeiro, Luiza Sá e Thiago Lima — Rio de Janeiro

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