Paralimpíadas 2024: Brasil conquista mais dois bronzes no tênis de mesa

Primeira brasileira a disputar Olimpíadas e Paralimpíadas, Bruna Alexandre conquista pódio nas duplas femininas com Danielle Rauen; Claudião e Luiz Manara também são bronze no masculino
O Brasil conquistou mais duas medalhas de bronze nas duplas no tênis de mesa das Paralimpíadas de Paris. Depois do terceiro lugar de Joyce Oliveira e Catia Oliveira nas duplas femininas da classe 5 (para atletas cadeirantes), Bruna Alexandre e Danielle Rauen repetiram o resultado nas duplas da classe 20 (para atletas andantes), assim como Claudio Massad e Luiz Manara na 18 (também para andantes).
Quinta medalha de Bruna em Jogos
Neste sábado, as brasileiras perderam a semifinal para as australianas Lei Li Na e Yang Qian por 3 sets a 0 – parciais de 11/8, 11/9 e 12/10 em 24 minutos. As adversárias são as atuais vice-campeãs paralímpicas e confirmaram o favoritismo. Como não há disputa de terceiro lugar no esporte, as brasileiras ficaram com o bronze.
– A gente estava muito bem, mas elas botaram uma bola a mais na mesa. O sentimento é de alergia e de dever cumprido. Tínhamos o objetivo de chegar ao pódio. Treinamos muito as duplas, e deu resultado hoje. Estou muito feliz de estar aqui. Espero cada vez mais evoluir – disse Bruna Alexandre.
Bruna fez história há três semanas ao se tornar a primeira brasileira a disputar as Olimpíadas e Paralimpíadas. Ela agora tem no currículo cinco medalhas paralímpicas, uma prata e quatro bronzes. Aos seis meses de vida, Bruna foi submetida à amputação do braço direito por consequência de uma trombose, provocada por uma injeção mal aplicada. A atleta de 29 anos começou no tênis de mesa aos 12 anos, influenciada pelo irmão.
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Bruna Alexandre e Danielle Rauen nas Paralimpíadas — Foto: REUTERS/Kacper Pempel
Já Dani, descobriu, aos quatro anos de idade, que sofre com artrite reumatóide juvenil – doença que causa atrofia nos músculos e degenera articulações – e passou a controlar com medicação. Começou a jogar tênis de mesa na escola, aos nove anos, com pessoas sem deficiência. Essa é a terceira medalha paralímpica de Dani, todas de bronze.
Apesar da derrota em sets diretos, as brasileiras fizeram um jogo equilibrado em todas as parciais. Chegaram a liderar o placar no primeiro set, mas as australianas foram mais precisas na reta final da parcial: 11/8. O roteiro se repetiu no segundo set: 11/9. No terceiro set, Lei e Yang abriram boa vantagem, mas Bruna e Dani reagiram, chegaram a salvar dois match points, mas novamente as australianas levaram a melhor: 12/10.
– A gente sabia que seria um jogo difícil. Vencemos elas neste ano, mas elas colocaram uma bola a mais na mesa. Foi um jogo disputado. Foi muito no detalhe. São duas jogadoras que atacam muito, a gente fez nosso melhor. Treinamos muito para isso. Ficamos chateadas porque queríamos vencer, mas deixamos nosso melhor na mesa – disse Dani.
As duas brasileiras voltam a competir nas chaves de simples das Paralimpíadas de Paris. Bruna é a atual vice-campeã paralímpica da classe 10. Dani tenta pela primeira vez chegar ao pódio na classe 9.
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Bruna Alexandre e Danielle Rauen nas Paralimpíadas — Foto: Wander Roberto/CPB @wander_imagem
O Brasil disputa mais uma semifinal no tênis de mesa neste sábado. Às 8h (de Brasília), Luiz Filipe Manara e Claudio Massad enfrentam os favoritos chineses Liu Chaodong e Zhao Yinqing por uma vaga na decisão das duplas masculinas da classe 18.
Claudio e Luiz também são bronze
Claudio Massad e Luiz Manara também disputaram a semifinal neste sábado. Com a medalha já garantida, os brasileiros conquistaram o bronze das duplas na classe MD18. A dupla brasileira perdeu para os chineses Liu Chaodong e Zhao Yiqing por 3 sets a 1, com parciais de 11/5, 11/4, 9/11 e 11/8.
– O tênis de mesa é tradicional na China. É um investimento absurdo. Para eles, é uma honra jogar. Eles estão acostumados com esse clima de televisão e torcida. A gente veio pelas beiradas, tentando vencer as primeiras rodadas, mas o diferencial deles são as primeiras bolas. O saque a recepção deles foram o que fez a diferença. Conseguimos encontrar uma maneira de tentar equiparar o jogo no terceiro set. No quarto set, ficamos próximos também, mas nos principais momentos eles foram superiores. Estamos muito felizes com essa conquista. Só de estar aqui é um sonho – disse Claudião após o bronze.
Os chineses já começaram o jogo com muita intensidade. Claudião e Luiz ainda tentaram alcançar, mas perderam a primeira parcial por 11 a 5. A vantagem da China continuou no segundo game, abrindo três pontos logo no início. Os brasileiros colocaram um pouco mais de agressividade na metade do set. Ainda assim, perderam por 11 a 4.
Claudio e Luiz começaram bem a terceira parcial, abrindo 2 a 0, liderando pela primeira vez no jogo. Em seguida, os chineses aproveitaram o espaço na mesa e marcaram, ensaiando uma reação. Mas a dupla brasileira estava muito bem e pontuaram em sequência, abrindo 8 a 3. Os brasileiros deram algumas recaídas depois disso, mandando a bola na rede. Os chineses encostaram e buscaram a virada, mas perderam por 11 a 9.
Os chineses começaram o quarto set com a agressividade das primeiras parciais, abrindo uma boa vantagem. Os brasileiros se recuperaram na metade da parcial e conseguiram encostar no placar, mas não foi o suficiente para evitar que os adversários chegassem no match point, fechando por 11 a 8.
– É o momento da gente só comemorar e ser grato. Foi um jogo difícil e a gente esperava isso. Eles jogam em uma frequência muito forte e você tem que estar no limite o tempo inteiro. Por isso que é tão difícil jogar contra os chineses. Mas estamos muito feliz e agora é desfrutar da vitória. Chegamos como azarões, depois tiramos os primeiros do mundo, ganhamos contra os donos da casa. Eu queria uma medalha, independente da cor. Já teria o gosto do ouro pela campanha que a gente fez – comemorou Luiz.
Por Fábio Grijó e Raphaela Potter, ge — Paris, França
