Trama golpista: as teses da defesa de Bolsonaro

Advogado do ex-presidente não nega fatos, mas que eles tenham sido ordenados por seu cliente e caracterizem tentativa de golpe
A linha de defesa de Celso Villardi, um dos advogados de Jair Bolsonaro a fazer a sustentação oral no julgamento da Ação Penal 2668 nesta quarta-feira, se dá em duas frentes: tentar desacreditar a delação de Mauro Cid e negar que o ex-presidente tenha ordenado um golpe de Estado.
Como vem sendo a tônica de todos os advogados, Villardi também não nega que tenham ocorrido reuniões em que foram discutidas “saídas” para o caso de Bolsonaro perdesse a eleição, que tenham sido exaradas minutas de golpe, que os comandantes das Forças Armadas tenham sido sondados sobre adesão a saídas golpistas, nada. Ele apenas nega que haja provas de que Bolsonaro foi quem ordenou essas movimentações e que elas, mesmo encadeadas, configurem o crime de tentativa de golpe de Estado.
Villardi e depois seu colega de defesa, Paulo Cunha Bueno, se apegaram à definição de tentativa de golpe de Estado no Código Penal, que prevê a necessidade de “violência ou grave ameaça”, para sua caracterização. Assim, reuniões, lives ou atos como os de Sete de Setembro não representariam tentativa de golpe por não terem sido precedidos ou sucedidos de atos violentos e grave ameaça.
Villardi também questionou a duração do chamado “inter criminis”, ou caminho do crime, que vem a ser o período transcorrido e o método usado para o cometimento de um crime, por ser longo demais, na descrição do Ministério Público, que lista uma cronologia que começa em 2021 e desemboca no 8 de Janeiro.
