Barroso responde acusação de Bolsonaro sobre indulto a José Dirceu
Dirceu havia sido condenado a 7 anos e 11 meses de prisão no caso do Mensalão. Ele passou a cumprir pena em novembro de 2013, após se esgotarem todos os recursos. No entanto, em outubro de 2016, Barroso concedeu o indulto ao ex-ministro, acatando um pedido da defesa e seguindo um parecer favorável da Procuradoria-Geral da República pela extinção da pena. Na época, o ministro era o relator dos processos do Mensalão no STF.
Apesar de não ter sido mencionado por Bolsonaro na postagem, antes de aceitar o indulto de Dirceu, em março de 2016, Barroso concedeu o perdão da pena ao ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), condenado no processo do mensalão do PT e hoje aliado de primeira linha do palácio do Planalto.
Já em maio do mesmo ano, outro aliado de Bolsonaro condenado no mensalão, o presidente do PL Valdemar Costa Neto, também teve o indulto concedido por Barroso. O político havia sido condenado a sete anos e 10 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Costa Neto foi um dos presentes na cerimônia de posse de Ciro Nogueira na Casa Civil nesta quarta-feira.
Em todos os casos, o ministro do STF entendeu que os condenados atendiam aos requisitos previstos no decreto do indulto editado em dezembro de 2015 pela então presidente Dilma Rousseff.
Barroso, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entrou na rota direta dos ataques de Bolsonaro nesta semana, após o presidente se tornar alvo de duas ações da corte por seus constantes ataques às urnas eletrônicas. Bolsonaro afirmou, na quarta-feira, que não aceitará “intimidações” e que sua “briga” é com o presidente do tribunal eleitoral. Já na noite de ontem, o mandatário elevou o tom e ameaçou atuar fora ‘das 4 linhas da Constituição’.
Com os ataques de Bolsonaro às urnas e os questionamentos da lisura do sistema eleitoral, Barroso tem soltado algumas indiretas no Twitter. O ministro tem feito publicações com “dicas da semana” e já indicou frases como “jamais diga uma mentira que não possa provar”, de Millôr Fernandes, e a música “Cálice”, de Chico Buarque.
