A tática de Ancelotti que explica o jogo mais completo do Brasil na Copa

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Vitória sobre a Escócia mostrou uma Seleção que soube jogar com e sem a bola, com uma estrutura ofensiva que potencializou Douglas Santos, Paquetá, Cunha e Bruno Guimarães.

 

 

Agora somos uma equipe.
— Carlo Ancelotti.

Foi assim que Carlo Ancelotti resumiu a vitória de 3 a 0 do Brasil sobre a Escócia, nesta quarta-feira, em Miami, que garantiu a classificação da Seleção para a segunda fase da Copa do Mundo.

O treinador italiano gostou do que viu. Assim como o torcedor. Com Vini Júnior mais uma vez protagonista com dois gols e Matheus Cunha fundamental com um gol e movimentações importantes, a seleção brasileira mostrou sua faceta mais completa até aqui.

Soube jogar se defendendo, com uma marcação alta que gerou dois gols. E conseguiu dominar a bola e construir jogadas saindo lá de trás com qualidade e organização. Vamos entender no detalhe:

Esquema tático potencializa Vini Júnior

 

O Brasil de Ancelotti joga num 4-4-2 feito para deixar Vinícius Júnior próximo do gol, pronto para decidir. Com o time defendendo, Matheus Cunha recuava para formar a primeira linha de pressão. Rayan e Paquetá fecham os lados e Bruno Guimarães forma uma dupla com Casemiro. A imagem abaixo mostra as duas linhas de quatro e Vini mais avançado, pronto para contra-atacar.

Brasil jogou num 4-4-2 feito para Vinícius ficar próximo do gol — Foto: Reprodução

Marcação no campo de ataque ficou mais encaixada

 

Vinícius fez dois gols de oportunismo, de craque mesmo. Só que antes dele receber a bola, o Brasil começou a marcar bem alto, no campo de ataque da Escócia.

Essa imagem abaixo representa o momento que o primeiro gol nasce. Matheus Cunha marca um jogador e Bruno Guimarães inicia o movimento de marcação antes de a bola chegar ao adversário. Enquanto isso, Vinicius fecha o retorno ao goleiro e Rayan conduz a jogada para o lado onde a Seleção quer recuperar a posse.

Gol do Brasil nasce de pressão bem encaixada — Foto: Reprodução

Gol do Brasil nasce de pressão bem encaixada — Foto: Reprodução

A pressão acontecia por encaixes, assim como nos outros jogos. A mudança foi a rapidez da marcação: sufoco total, sem tempo para a bola parar no pé dos escoceses. Essa antecipação reduz o tempo de decisão do adversário, o que aumenta as chances de erro, e ajuda o Brasil a retomar a bola.

O Brasil marca, marca e quando a jogada está na esquerda, até Casemiro, alvo de tantos memes, acompanha seu alvo até o fim. Todos fizeram isso, com especial destaque para Bruno Guimarães, que aparecia por todo o lado e cobria Paquetá no lado esquerdo.

Brasil marcou por encaixes em todo o campo — Foto: Reprodução

Brasil marcou por encaixes em todo o campo — Foto: Reprodução

 

No ataque, recursos e variações entre Paquetá e Matheus Cunha

 

Mas a maior evolução do Brasil foi mesmo quando tinha a posse de bola. Se antes a seleção merecia umas cornetas por ficar muito atrás, dessa vez fez o gol cedo, manteve a calma e mostrou muitos recursos táticos para sair jogando e abrir espaços com qualidade.

O desenho com a bola era bem mutante e partia de um 3-1-4-2: Douglas Santos permanecia aberto pela esquerda praticamente o tempo inteiro, junto com Rayan pela direita. Os dois davam amplitude, abriam o campo. Quanto mais aberto fica o lateral, mais os defensores precisam se espalhar. Na defesa, Danilo ficava próximo dos zagueiros, assim como Casemiro.

A primeira variação acontecia com Lucas Paquetá. Em vez de permanecer aberto pela esquerda, ele atacava o espaço por dentro para participar da construção. Via o jogo de frente e tocava direto para Vini, que não saía de onde Ancelotti mais quer: próximo do gol, pronto para receber e driblar.

Brasil mostrou muito mais recurso com a bola nos pés — Foto: Reprodução

Brasil mostrou muito mais recurso com a bola nos pés — Foto: Reprodução

A outra variação acontecia com Matheus Cunha. O camisa 9 aaía do ataque para atuar entre as linhas, aproximando-se de Paquetá e Bruno Guimarães. Em vários momentos, os três formavam um triângulo pelo centro, oferecendo opções curtas de passe e facilitando a circulação. O Brasil construía por dentro sem perder profundidade, garantida por Vinicius e Rayan.

Matheus Cunha saía da área e ajudava a construir jogadas — Foto: Reprodução

Matheus Cunha saía da área e ajudava a construir jogadas — Foto: Reprodução

Bruno Guimarães dava equilíbrio. Como Paquetá e Cunha trocavam constantemente de posição, Bruno encontrava espaços para receber de frente e distribuir o jogo ou avançar e apoiar bastante. Ele merece elogios, assim como Casemiro, que fez sua primeira partida realmente segura e deu proteção ao companheiro.

O terceiro gol nasce de uma jogada construída atrás, com Bruno Guimarães recebendo de frente para o gol e dando belo passe para Matheus Cunha, que fez o terceiro na Copa.

No segundo tempo, a Escócia tentou adiantar a marcação e encontrou seu melhor momento na partida, principalmente em bolas cruzadas para a área. O Brasil respondeu mantendo a posse e reduzindo o ritmo do jogo. Em vez de acelerar todas as transições, passou a circular a bola, trocar posições e obrigar os escoceses a correr atrás dela.

E Neymar finalmente entrou! Em sua quarta Copa do Mundo, o camisa 10 ocupou os espaços entre as linhas, aproximou-se de Paquetá e Bruno Guimarães e participou da circulação sem prender a bola em excesso. Fez a mesma função de Matheus CUnha.

Ainda sem o ritmo ideal, mostrou qualidade para acelerar a última bola e ofereceu ao Brasil mais uma alternativa de criação para a sequência da Copa.

Tudo isso significa que o Brasil é perfeito e está pronto para o hexa? Como Ancelotti disse, é preciso de calma. O maior desafio na próxima segunda-feira, às 14h, será enfrentar uma defesa fechada. Furar retrancas. Ou marcar algum jogador do nível de Messi e Mbappé.

O Mister resumiu muito bem o que ainda falta:

Não estamos perfeitos, temos coisas a melhorar. Podemos ser um pouco mais rápidos quando temos o controle. Estou contente porque o time melhorou muito, agora estamos sólidos. No mata-mata a solidez é muito importante. Temos um time sólido. Comparando com o primeiro jogo, temos menos erros, mais ritmo, mais efetividade na frente.

Pela primeira vez, o Brasil conseguiu alternar pressão alta, bloco médio e posse de bola sem perder organização. Foi uma equipe como esperamos que seja. Cada jogador parecia entender seu papel em cada fase do jogo, e as movimentações aconteciam de forma natural, sem depender de improvisos.

O Brasil tem uma forma clara de jogar. Agora precisa competir. Que venha o próximo jogo.

 

Por Leonardo Miranda, ge

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