Análise: foco do Corinthians na Copa é mais fácil de explicar do que atuação tão pobre em Fortaleza
Mistão de Vítor Pereira vai mal e mantém aproveitamento ruim fora de casa
É compreensível a decisão do Corinthians de priorizar a Copa do Brasil, torneio no qual está a quatro jogos de conquistar o título, em detrimento do Brasileirão, competição em que iniciou a última rodada nove pontos atrás do líder – a diferença subiu para dez no fim de semana.
O que é mais difícil de justificar é a atuação tão pobre na derrota por 1 a 0 para o Fortaleza, no Castelão, em que pesem todas as ponderações: os desfalques, a falta de entrosamento, o gramado ruim…
Qual time do Brasil não gostaria de contar com um meia do quilate de Giuliano? Cássio, Lucas Piton, Fausto Vera, Róger Guedes são todos titulares do Corinthians e iniciaram a partida no Ceará. Ramiro e Mateus Vital estavam sem ritmo de jogo, é verdade, mas não são jogadores descartáveis.
Apesar de contar com todos esses nomes, o mistão de Vítor Pereira foi muito pouco criativo e manteve o aproveitamento ruim da equipe como visitante: conquistou apenas 41,6% dos pontos disputados.
Tão ruim quanto o resultado foi o desempenho. Com Bruno Méndez improvisado na lateral direita, a construção ofensiva do Corinthians ficou um pouco pensa para o lado esquerdo, onde Lucas Piton, Mateus Vital e Róger Guedes tentavam se associar.
O Timão até começou bem o primeiro tempo, tendo mais posse e dificultando a saída do Fortaleza, mas aos poucos foi diminuindo a intensidade e produzindo cada vez menos.
Cássio era pouco exigido, mas a defesa batia cabeça, sobretudo com Robson Bambu, que não era nem relacionado há oito jogos e reapareceu na equipe para que Gil e Balbuena descansassem. Demonstrando falta de confiança, o zagueiro teve atuação muito ruim, cometendo erros em fundamentos básicos.
Outro que esteve muito abaixo foi Giuliano, pouquíssimo participativo.
No segundo tempo, Vítor Pereira tentou lançar algumas das armas que tinha guardadas. Yuri Alberto e Du Queiroz entraram já na volta do intervalo e Renato Augusto foi chamado ao 15 minutos, mas o Fortaleza conseguiu abrir o placar antes mesmo do camisa 8 tocar na bola. Bambu perdeu disputa pelo alto, Bruno Méndez levou a pior pelo chão, Robert Renan levou um corte seco, e Cássio não conseguiu evitar o belo gol de Moisés.
Antes, o Corinthians já havia levado alguns sustos, como uma bola na trave em cobrança de escanteio.
Em desvantagem, o Timão até tentou se lançar ao ataque, mas tirando raros momentos de lucidez de Renato Augusto, pouco criou. A equipe acertou a meta adversária apenas uma vez na etapa final, em chute de fora da área de Léo Natel, de fora da área.
A derrota evidencia a falta de força do Corinthians para brigar em mais de uma frente. E isso devido a uma mistura de fatores, que vai de desequilíbrios na montagem do elenco a uma dose de azar. Nessa partida, por exemplo, a equipe não contou com sete jogadores lesionados: Rafael Ramos, Raul Gustavo, Cantillo, Maycon, Paulinho, Roni e Júnior Moraes.
Do que se viu no Castelão, quase nada serve como parâmetro para quarta-feira. O jogo contra o Fluminense, no Maracanã, se dará com jogadores, motivação e gramado diferentes.
Porém, é importante o Corinthians, único time a passar todo o campeonato no G-4, ficar atento para não se desgarrar do pelotão da frente do Brasileiro. Os próximos dois compromissos da equipe no campeonato serão em Itaquera – contra Bragantino e Inter – e podem ajudar o Timão não só a se reabilitar na classificação, como também chegar embalado para o duelo de volta contra o Flu.
Por Bruno Cassucci — Fortaleza
