Brasil entra para hall de potências da GR no Mundial e é favorito ao pódio nas Olimpíadas
Conjunto brasileiro fecha competição em Frankfurt com dois ouros, desbanca equipes tradicionais e lidera rankings da temporada
“Uau! Surreal!” Era tudo o que Camila Ferezin conseguia pensar quando viu o conjunto do Brasil cravar as duas séries das finais por aparelhos do Mundial de ginástica rítmica. A técnica da seleção brasileira se impressionou com os dois ouros inéditos do último domingo, com direito às maiores notas da temporada nas duas rotinas. E ainda teve o bronze da prova geral, que garantiu ao Brasil antecipadamente a vaga nas Olimpíadas de 2028. Resultados de um fim de semana em Frankfurt que colocaram o país entre as potências da modalidade e consolidaram o status de favorito ao inédito pódio olímpico em Los Angeles.
O topo do ranking
As brasileiras entraram no Mundial de Frankfurt como favoritas ao ouro na prova geral, a prova olímpica, que soma as duas séries. Um status alcançado graças ao desempenho na temporada, chegando à Alemanha com a maior nota do mundo na série simples (29,250) e a segunda maior da série mista (28,900), além do maior somatório em uma única fase de uma competição – conseguiu 58,150 nas finais por aparelhos do Campeonato Pan-Americano.
Era um novo patamar para as brasileiras, pela primeira vez medalhistas em um Mundial em 2025, com duas pratas em casa, no Rio de Janeiro. O conjunto verde-amarelo lidou bem com o peso do favoritismo principalmente graças a dois fatores. Primeiro: um trabalho integrado da equipe multidisciplinar, cuidando do corpo e da mente das atletas. Segundo: a experiência de uma equipe madura, que carrega a base das Olimpíadas de Paris 2024 – Duda Arakaki, Sofia Madeira e Nicole Pírcio estiveram nos Jogos. O resultado: duas notas 29,450 pontos no último domingo para fechar o Mundial no topo do ranking da temporada.
Top-10 conjuntos de 2026 pós-Mundial
| País | Prova geral | Prova simples | Prova mista | Potencial |
| Brasil | 58,900 (1º) | 29,450 (1º) | 29,450 (1º) | 58,900 (1º) |
| Espanha | 57,650 (2º) | 29,150 (2º) | 29,050 (3º) | 58,200 (2º) |
| China | 57,200 (3º) | 28,900 (3º) | 29,250 (2º) | 58,150 (3º) |
| Bulgária | 57,150 (4º) | 28,400 (4º) | 28,750 (4º) | 57,150 (4º) |
| Japão | 56,700 (5º) | 28,150 (6º) | 28,550 (5º) | 56,700 (5º) |
| Alemanha | 56,250 (6º) | 27,850 (8º) | 28,550 (5º) | 56,400 (7º) |
| Israel | 56,050 (7º) | 28,150 (6º) | 28,300 (7º) | 56,450 (6º) |
| Ucrânia | 54,900 (8º) | 28,300 (5º) | 27,450 (10º) | 55,750 (8º) |
| Rússia | 54,300 (9º) | 27,200 (10º) | 27,500 (9º) | 54,700 (10º) |
| Uzbequistão | 53,950 (10º) | 26,800 (13º) | 28,100 (8º) | 54,900 (9º) |
- Prova geral – soma das duas séries realizadas na mesma fase, classificatórias ou finais.
- Prova simples – cinco bolas.
- Prova mista – três arcos e dois pares de maças.
- Potencial – soma das duas maiores notas de cada série na temporada.
Na ginástica, não há um ranking oficial, uma vez que os critérios de julgamento são ligeiramente diferentes entre as competições por causa do caráter subjetivo da modalidade. No entanto, como o código de pontuação é o mesmo para todas as disputas, é possível comparar as notas conquistadas e ranqueá-las.
Domínio das finais por aparelhos
O Brasil teve um feito raro no Mundial de Frankfurt: conquistou dois ouros nas finais por aparelhos do conjunto. A última vez que um país alcançou essa marca em um Mundial foi em 2010, com a Rússia, em casa, em Moscou. Dois anos depois, as russas mantiveram a hegemonia com o título das Olimpíadas de Londres. Maiores campeãs da história da modalidade, as russas são as únicas a dominarem as finais por aparelhos em um Mundial deste século, além das brasileiras – a Grécia de 1999 e a Bulgária de 1987 também alcançaram o feito.
As finais por aparelhos não fazem parte do programa das Olimpíadas. Por outro lado, se assemelham mais a uma final olímpica do que a própria final da prova geral do Mundial. É que nos Jogos Olímpicos há uma disputa de classificatória para avançar à decisão. São quatro séries para o ouro. Em Mundiais, por sua vez, o primeiro dia de disputas já contam como decisão da prova geral (duas séries para o ouro), além de ser classificatória para as finais por aparelhos.
Consistência no pódio
Além dos dois ouros, o Brasil ainda conquistou um bronze na prova geral, mesmo tendo uma falha na série simples no primeiro dia. Isso mostra o potencial das séries brasileiras. Se antes o conjunto verde-amarelo precisava cravar as séries para se aproximar das medalhistas, agora não perde o posto no pódio nem com erro pequeno. A China de 2023 foi o último conjunto a sair de um Mundial com três medalhas e acabou campeã olímpica no ano seguinte, em Paris.
O Brasil esteve em cinco dos seis pódios possíveis em Mundiais do ciclo olímpico de Los Angeles 2028. Nenhum conjunto foi mais consistente. Além disso, faturou medalhas em todas as competições que disputou.
Por Marcos Guerra — São Paulo
