Circunstâncias da morte de piloto de 9 anos são mistério para categoria
Lorenzo Somaschini caiu em uma curva de baixa velocidade no Autódromo de Interlagos em São Paulo, na última sexta-feira. Super Bike Brasil explicou que episódio “deveria ter sido apenas mais um tombo”
A Comissão de Segurança da SuperBike Brasil ainda investiga o acidente fatal de Lorenzo Somaschini durante treinos no Autódromo de Interlagos em São Paulo, na última sexta-feira. Mas as circunstâncias do episódio surpreendem até a própria categoria, já que a queda do argentino de nove anos se deu na curva do Pinheirinho – um trecho de baixa velocidade.
– Do ponto de vista técnico, deveria ter sido apenas mais um tombo até então sem consequências e relevância. Por não termos imagens, não podemos afirmar com exatidão o que ocorreu; as marcas na moto denotam que ela apenas tombou em baixa velocidade e arrastou pelo chão – mais um indício que a velocidade era baixa. Dessa forma, não sabemos ainda dizer como um acidente com essas características pode ter sido de tamanha gravidade – declarou a categoria, em resposta ao ge.globo.
A Curva do Pinheirinho é uma das 11 do Autódromo de Interlagos; de carro, a velocidade média nela é de apenas 90 km/h, sendo uma das mais lentas do traçado. Ela é antecedida pela Curva do Laranjinha, um trecho mais rápido e que exige maior atenção à frenagem para a chegada ao Pinheirinho.
O acidente de Lorenzo, porém, se deu na saída do Pinheirinho; o piloto disputava o primeiro treino livre da Jr Cup, na quarta etapa do SuperBike Brasil, quando teria sofrido um highside. Neste tipo de acidente, ocasionado por uma perda e recuperação repentina de tração na roda traseira, o piloto é “ejetado” da moto e voa por cima dela.
Esse tipo de ocorrência pode ser ocasionada pelo uso de pneus frios, erro na frenagem ou redução da marcha, excesso de aceleração na saída de uma curva, inclinação incorreta e outras possibilidades. No entanto, ainda não está claro o que pode ter levado à queda de Somaschini.
– O SBK conta com uma comissão de segurança composta por profissionais de diversas áreas. Todas as ocorrências sempre geram investigações com o intuito de se apurar causas e possíveis prevenções: falha na limpeza da pista, de procedimento de um sinalizador, na fraseologia padrão a ser utilizada nos rádios e até mesmo erros de pilotagem dos pilotos que sequer gerem quedas. Apenas depois dessa investigação poderemos apontar possíveis causas contribuintes e medidas mitigadoras – acrescentou a categoria.
Ao ge, a SuperBike Brasil explicou que em todas as suas categorias, os pilotos devem utilizar roupas de couro anti-impacto e anti-abrasivas, além da obrigatoriedade no uso de capacete que atenda aos requisitos das competições. Também são mandatórios luvas, botas e um protetor de coluna para motociclismo.
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A SBK foi criada em 2010 e, três anos depois, passou a aceitar jovens pilotos na Honda Junior Cup a partir dos oito anos. A idade limite dos atletas na categoria de base é de 16 anos; na principal, inscritos devem ter no mínimo 15 para correr. Na Junior Cup, os competidores usam uma Honda CG 160 Titan adaptada para o tamanho de cada piloto; o modelo pode passar dos 150 km/h.
O tamanho padrão e o desempenho alcançado pela moto podem surpreender, mas SBK garante que o modelo guiado por Somaschini era o menor e mais fraco entre as motocicletas de pista:
– A expressão moto de pista apenas representa a remoção dos faróis e piscas, assim como a redução do tanque de combustível e outras modificações que privilegiem a ergonomia do piloto. Moto de pista não significa mais performance nesse caso; pelo contrário.
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Largada da SuperBike Brasil em Lima Duarte, Minas Gerais, na temporada 2020 — Foto: SuperBike/Divulgação
Outras competições também fazem parte do calendário da SuperBike Brasil, mas nenhuma é homologada pela Confederação Brasileira de Motociclismo (CBM), órgão que gerencia o esporte no Brasil.
Lorenzo nasceu em Rosário na Argentina e começou a andar de moto quando acompanhava o pai na garupa da motocicleta de seu avô. Ele havia estreado na SuperBike na etapa da Argentina em abril. Nas redes sociais – que foram apagadas dias após o acidente -, ele chegou a publicar fotos em Interlagos, onde estava “realizando sonhos”.
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Lorenzo Somaschini morreu aos nove anos após acidente no SuperBike em Interlagos — Foto: Reprodução/Instagram
Em nota, a SBK informou que o menino foi atendido na pista após o acidente e estabilizado no centro médico de Interlagos. em Interlagos e depois foi levado para o Hospital Geral de Pedreira em Vila Campo Grande, a menos de 5 km de distância do autódromo.
De lá, Somaschini foi transferido na madrugada de sábado, dia 15, para o Hospital Albert Einstein, onde permaneceu internado mas não resistiu aos ferimentos, vindo à óbito na noite desta segunda.
Por Bruna Rodrigues e Rafael Bizarelo, ge — São Paulo
