Coudet apresenta repertório curto e cardápio de erros e Inter fraqueja no Beira-Rio
Preso na estratégia de Roger nas semis contra o Juventude, técnico não conseguiu encontrar alternativas e segue sem disputar uma final de Gauchão
O grupo é badalado, repleto de opções. A torcida comprou a entrega e o discurso da direção e fez sua parte. Lotou o Beira-Rio em uma segunda-feira à noite, mas de nada adianta. Em campo, o Inter repete o roteiro ano após ano e acumula fracassos. Desaprendeu o caminho das finais do Gauchão, do qual é o maior campeão. Eduardo Coudet, tão elogiado, sucumbiu e apresentou um cardápio de erros e foi amarrado pelo Juventude nos duelos da semifinal.
O novo capítulo da senda de fiascos ocorreu na noite de segunda-feira. O local? O Beira-Rio, claro! Palco da goleada por 3 a 0 para o Grêmio, então na Série B, em 2022, das quedas para o Olimpia, Melgar, Caxias, América-MG e Fluminense, agora também o estádio da eliminação para o Juventude.
O Inter empatou em 1 a 1 no tempo normal e, nos pênaltis, levou 6 a 5. Resultado: o farto elenco colorado, com o chefe de cozinha Eduardo Coudet, que durante a série de 10 vitórias tanto disse para a torcida “não consumir m*”, em referência a conteúdos e opiniões sobre o clube, ofereceu um prato indigesto aos mais de 40 mil presentes no estádio.
O argentino, que berrava e caminhava de um lado a outro na área técnica, não conseguiu superar a estratégia de Roger Machado. Longe disso. Faltou repertório para derrubar o bloqueio do Juventude.
As peças de criação Aránguiz, Bruno Henrique, Mauricio, Alan Patrick e Wanderson pouco construíram. Aliás, todo o sistema ofensivo não funcionou. E se quase todos os atletas não rendem, a responsabilidade está na engrenagem.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2024/D/e/zTOdI9R5GdYUip3NeMnQ/53611819588-1cf775c4d0-k.jpg)
Bruno Henrique e Mauricio sucumbiram em queda do Inter — Foto: Ricardo Duarte/Divulgação, Internacional
O chileno até lançou Renê para empatar, na única jogada em que teve brilho em lance ensaiado. Já Mauricio, descontrolado, ainda caiu na pilha de Nenê, agrediu o rival e acabou expulso no desastroso enredo colorado. Antes, perdera a chance clara da virada colorada quase embaixo das traves.
Os problemas atrás, tão conhecidos, reapareceram. Bustos sofreu com as jogadas às costas. Renê errou uma saída de bola que só não foi gol porque Edson Carioca acertou a trave e Vitão salvou em cima da linha. Só que o zagueiro voltou a falhar na bola aérea e deixou Zé Marcos abrir o placar de cabeça.
O Inter perdeu o primeiro tempo e poderia sair dali eliminado já, não fosse a defesa de Rochet, talvez a única notícia boa, e Vitão no citado lance sobre a linha.
O cardápio de Coudet ainda reservava a sobremesa. A 20 segundos do fim da partida, o treinador promoveu a entrada de Robert Renan, uma das contratações do ano, no lugar de Vitão. Claramente para cobrar o pênalti. O camisa 4 tentou dar uma cavadinha, mas Gabriel Vasconcellos segurou.
Kelvi Gomes bateu o seguinte e converteu para a ira das arquibancadas, que vaiaram o zagueiro do Inter. Envergonhado, se ajoelhou no gramado e saiu com a camisa no rosto, enquanto era abraçado pelos colegas. A eliminação, claro, tem boa parcela de Robert. Mas também tem de Coudet, que não conseguiu fazer o time evitar chegar às penalidades com uma nominata superior.
Coudet segue sem encher a barriga. Agora não tem mais a desculpa do “grupo curto”, a muleta à qual se apegou na primeira passagem pelo Beira-Rio, em 2020, antes de deixar o clube rumo ao Celta de Vigo. Novamente, cai antes da final.
O presidente Alessandro Barcellos, que ouviu a coletiva do treinador, não escondia a decepção. Ainda se prontificou a falar e disse que as cobranças já começaram no vestiário e seguirão nos próximos dias.
O dirigente não poupou esforços. Investiu R$ 80 milhões para dar 10 reforços a Coudet, ainda que Bernabei, Thiago Maia, Fernando e Rafael Borré tenham sido contratados após o prazo de inscrição do Gauchão.
Barcellos montou um grupo forte, com alternativas nos mais distintos setores, mas ainda não recolocou o time na rota dos títulos. Pior. No quarto ano de gestão, só chegou à final do Gauchão no primeiro, quando Miguel Ángel Ramírez estava no comando.
Alexander Medina, Mano Menezes e Coudet sucumbiram na semifinal. O Inter já está há oito anos sem uma taça sequer. A última foi o Gauchão no traumático ano de 2016.
O Inter voltará a ser campeão? A pergunta martela a cabeça do maltratado torcedor. Até a noite segunda tão esperançoso, voltou a ser brindado com mais um fiasco nesta jornada interminável. Como acreditar que Brasileirão, Copa do Brasil e Sul-Americana terão desfechos distintos? Veremos o que Coudet e os comandados apresentarão.
Março nem acabou e o Inter já está sob cobrança. Serão oito dias até a estreia na Sul-Americana. O duelo com o Belgrano ocorre no dia 2 de abril, às 19h, no Mário Kempes, em Córdoba.
Por Tomás Hammes, ge — Porto Alegre
