Desemprego cai para 13,2%, mas renda do trabalho tem queda histórica com alta da inflação
A taxa de desemprego ficou em 13,2% no trimestre encerrado em agosto, uma queda em relação aos 14,6% registrados em maio, que serve de base de comparação. A melhora do emprego veio com o avanço da vacinação e a reabertura da economia. Ainda assim, há 13,7 milhões de pessoas em busca de uma vaga, segundo dados divulgados na manhã desta quinta-feira pelo IBGE.
O aumento do emprego veio acompanhado de uma forte queda na renda. O ganho médio do trabalhador brasileiro recuou 10,2% em relação a agosto do ano passado, quando o país ainda vivia os efeitos econômicos mais fortes da pandemia. É a maior queda da série histórica do IBGE, iniciada em 2012.
O recuo na renda reflete não só o forte aumento da inflação nos últimos meses, como também o perfil das vagas criadas no mercado de trabalho. A maioria dos postos criados foi na informalidade.
— Parte significativa da recuperação da ocupação deve-se ao avanço da informalidade. Em um ano, a população ocupada total expandiu em 8,5 milhões de pessoas, sendo que desse contingente 6 milhões eram trabalhadores informais — explica a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy.
O trabalho por conta própria, como em bicos ou pequenos serviços, subiu 18% em relação a um ano atrás e atingiu um recorde de 25,4 milhões de brasileiros neste tipo de ocupação.
Como os trabalhadores informais têm remunerações menores e com a inflação superando 10% nos últimos 12 meses, a renda média caiu com força e ficou em R$ 2.489, contra R$ 2.771 de agosto do ano passado.
Para se ter uma ideia da dimensão desta queda da renda, a massa salarial, que é a soma dos ganhos obtidos por todos os trabalhadores brasileiros e serve como um termômetro do potencial de consumo das famílias, caiu 0,7% em um ano, para R$ 219 bilhões. Isso mesmo com o ingresso de mais 3,48 milhões de pessoas no total de brasileiros empregados.
A taxa de desemprego também recuou em relação à registrada no trimestre encerrado em julho, de 13,7%, quando havia 14,1 milhões na fila do emprego. E também em relação a maio houve queda histórica na renda do trabalhador, de 4,3%.
Diante do avanço da vacinação e da reabertura da economia, economistas esperam que a ocupação cresça de forma significativa nos últimos meses deste ano. O desafio daqui para a frente, porém, será o ritmo dessa retomada.
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Enquanto a população economicamente ativa (que está empregada ou desempregada, mas à procura de trabalho) deverá voltar ao nível pré-pandemia de forma mais intensa, o aumento da população ocupada deverá crescer em menor magnitude.
Com isso, a expectativa é que o país conviva com níveis elevados de desocupação por bastante tempo, já que há um descompasso entre oferta e demanda de mão de obra.
Caged X Pnad
Na terça-feira, o governo divulgou a abertura de mais de 300 mil vagas com carteira assinada, segundo dados do Cadastro Geral de Empregos. A Pnad considera vagas formais e informais e apresenta dados trimestrais. Já as informações do Caged refletem números mensais apenas de empregos formais.
Enquanto a pesquisa do IBGE investiga todos os tipos de ocupação, nos mercados formal e informal, além de trabalhadores por conta própria e funcionários públicos, o Caged só considera aqueles que trabalham com carteira de trabalho assinada.
