Dinizismo no Corinthians: como o técnico tem implementado seu estilo no dia a dia do clube
Novo treinador se notabiliza pelas longas conversas com jogadores, pelas cobranças enérgicas e pelo resgate do ânimo do elenco após sequência negativa
Treinos até a noite, muita conversa, cobranças enérgicas, aprovação dos jogadores… Mesmo com poucos dias de trabalho, em meio a uma sequência de três partidas importantes, o técnico Fernando Diniz tem buscado implementar seu estilo de jogo no Corinthians. Um estilo que não é apenas tático, mas também motivacional.
O dia a dia de trabalho no CT Joaquim Grava tem refletido em campo. Nas três partidas sob o comando de Diniz, o Timão venceu duas, contra Platense e Santa Fe, e empatou uma, com o Palmeiras. Fez quatro gols, sem levar nenhum.
São dez dias desde que Diniz chegou para substituir Dorival Júnior. Pouco tempo para o treinador implementar por completo o seu estilo de jogo conhecido como “Dinizismo”, mas suficiente para mudar o ânimo e a confiança do elenco.
Diniz vem tendo conversas diárias com jogadores, especialmente Rodrigo Garro, Breno Bidon e André. Até atletas que não vêm sendo utilizados, como Dieguinho, recebem atenção especial do técnico.
Os papos são tão longos que os treinos chegam a demorar a começar. Ele chega a tirar jogadores do aquecimento para conversar e explicar o que espera deles naquele dia. Quando os trabalhos começam, se prolongam. Em algumas ocasiões, os treinos terminaram à noite, já sem iluminação natural.
Durante as sessões, enérgico que é, Diniz grita o tempo todo e cobra muito os jogadores. O principal objetivo é recolocar o elenco, que enfrentou uma sequência de nove jogos sem ganhar, em um caminho virtuoso.
— Quando vem treinador novo, vem uma energia nova, com uma nova característica. É um cara muito enérgico, que nos deu essa energia nova — analisou o zagueiro Gustavo Henrique em entrevista na zona mista na Neo Química Arena após a segunda rodada na Conmebol Libertadores.
— Não que com o professor Dorival não existia. O Diniz trouxe uma energia diferente. É um cara que pilha mais. Colocou na nossa cabeça que tínhamos condições de mudar essa chave. E a gente está acreditando no trabalho dele, que pode melhorar com e sem bola. É o que está acontecendo. Estamos muito felizes por esses três jogos.
O trabalho dinâmico e rápido implementado por Diniz tem agradado os atletas, que compraram a filosofia do treinador – algo que vai além da preparação técnica e tática.
— As pessoas atribuem a mim algumas coisas da parte tática. Não sou um cara assim. A minha cara é o que o Corinthians está mostrando: entrega absoluta e coragem para vencer — disse Diniz em entrevista coletiva.
É claro que aspectos técnicos e táticos não deixam de ser trabalhados. Na defesa, a equipe tem conseguido repetir a façanha de passar vários jogos sem ser vazado, como ocorria com Dorival.
— Defesa não está sendo vazada porque há um comprometimento grande de todos os jogadores em defender — ponderou Diniz.
No ataque, o técnico sabe que precisa melhorar a produção ofensiva, com mais finalizações, e vem tentando fazer isso com mais variações posicionais.
— Quando o Bidon e o Kayke vão para o lado, é uma maneira de dar mais amplitude e termos cruzamento em velocidade com gente na área. O jogo do Corinthians é elaborado. O jogo de hoje pedia que fosse para os lados — exemplificou Diniz sobre o duelo contra o Platense.
O toque de bola, a intensidade e a aproximação dos jogadores estão entre as características que, aos poucos, aparecem no Corinthians de Diniz. O trabalho com os pés de Hugo Souza também – ainda que o goleiro tenha vacilado uma vez ou outra.
Mesmo com pouco tempo, os vários desfalques por lesões e o calendário apertado, Diniz vem se diferenciando do seu antecessor por repetir escalações. Nas três partidas sob seu comando, o treinador usou o mesmo time titular.
— Tenho um tipo de pensamento em relação a isso diferente da maioria. Respeito os dados fisiológicos, mas o jogador não é só um monte de osso e músculo. Tem outras coisas que são até mais importantes. Lesão e baixo rendimento têm o componente biológico, mas tem outras questões que não são contáveis: medo, coragem. Isso é o que mais me interessa. Para mim, tem a parte que mede e a parte que sente. O futebol e a vida são de sentir. Não desprezo a biologia e a ciência, mas me baseio em outras coisas para tomar as decisões — explicou o comandante corintiano.
O próximo jogo do Corinthians será contra o Vitória, no Barradão, em Salvador (BA), neste sábado, às 20h (de Brasília), pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Neste compromisso, Diniz não poderá repetir a mesma escalação porque o lateral-direito Matheuzinho e o meio-campista André, expulsos no Dérbi, no último domingo, estarão suspensos. Uma oportunidade para que outros nomes possam ganhar moral com o novo treinador.
Por Yago Rudá — São Paulo
