Em Alagoas, número de candidaturas militares sobe quase 60% em quatro anos
O número de militares concorrendo às eleições em Alagoas aumentou 57,14%, comparando os pleitos de 2018 e 2022. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), neste ano, 22 militares concorrem a vagas no Executivo ou Legislativo.
Na disputa ao Governo, uma chapa é composta por dois bombeiros militares. Para o Senado, há uma bombeiro militar e um policial militar. Disputando uma vaga na Câmara dos Deputados, há três PMs, três bombeiros militares e dois militares reformados.
Concorrendo a deputado estadual, são sete policiais militares, um bombeiro militar e dois militares reformados – além destes, um candidato à reeleição também é PM.
Em 2018, o TSE registrou 14 candidaturas de militares: dois bombeiros militares concorriam a uma vaga na Câmara dos Deputados e 12 à Assembleia Legislativa (oito PMs, dois bombeiros militares e dois militares reformados).

Alagoas conservadora
A cientista política Luciana Santana explicou que o crescimento das candidaturas de militares é um fenômeno que teve início em 2013, mas que ganhou força com a eleição de Jair Bolsonaro (PL) à presidência.
“Com certeza a eleição do Bolsonaro acabou incentivando que outros militares pudessem ter a coragem de se candidatar e participar do pleito eleitoral. Mas esse aumento vem acontecendo ao longo dos anos”, citou.
Ela cita que Alagoas tem uma população mais conservadora, com um perfil mais de centro-direita, especialmente a elite: “A elite alagoana é muito de centro-direita, e tem muito a ver com o processo de formação histórica delas”.
“O fato disso acontecer faz com que você tenha uma concentração de eleitores com perfil ou com uma preferência mais alinhada a Bolsonaro do que a outras candidaturas”, ressaltou a cientista política.
Luciana também acrescenta que esse perfil conservador de Alagoas faz com que nomes de militares tenham certa força e potencializa a chance de serem eleitos.

Candidaturas importantes
Candidato à reeleição a deputado estadual, Cabo Bebeto (PL) acredita que o aumento das candidaturas de militares a cargos eletivos não está diretamente associado ao fato de Bolsonaro ser militar.
“Há muitos militares candidatos em partidos que não têm nada a ver com o que o presidente prega”, disse o parlamentar.
Ele reforça que as candidaturas dos militares são importantes, pois mostram que a categoria está participando cada vez mais da política, mas lamenta: “Há aqueles que saem em partidos que não têm nada a ver com o que militarismo prega, que é a disciplina, a hierarquia, o patriotismo e o respeito às autoridades. Infelizmente há partidos que rasgam isso tudo”.

Popularização da política
O candidato Luciano Fontes (PMB) é candidato ao Governo numa chapa composta por dois bombeiros militares. Ele acredita que a eleição de Bolsonaro em 2018 incentivou boa parte das candidaturas de militares neste ano, mas analisa que houve um “amadurecimento” da sociedade em relação à política.
“Hoje se discute política em todos os lugares, se discute política mais do que Copa do Mundo, do que novela das 7. A seleção brasileira não é mais a discussão número 1 do país. Hoje o que o político faz é observado de perto”, afirmou.
“A importância de qualquer candidatura, independente da classe a que pertence o candidato, deve se concentrar na resolução dos problemas da sociedade como um todo. Não se pode partir do pressuposto de que se você pertence a uma classe você vai trabalhar mais por ela do que pelas outras”, disse.
Por cadaminuto
