Emboscada de palmeirenses contra cruzeirenses deixa um morto e outros 17 feridos, diz polícia

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Uma emboscada de torcedores de organizadas do Palmeiras contra os do Cruzeiro – envolvendo cerca de 150 pessoas, pedaços de madeira e fogo – deixou uma pessoa morta e outras 17 feridas na madrugada deste domingo em Mairiporã, informaram a Polícia Civil, a Polícia Militar e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Todas as vítimas são cruzeirenses, de acordo com a polícia, e ao menos dois ônibus da torcida do time mineiro foram atingidos. Um deles foi incendiado e continua no local, fora da rodovia, enquanto o outro teve os vidros quebrados e está na base da PRF aguardando remoção.

17 torcedores foram feridos e um morreu

 

Inicialmente, a PRF havia informado que outros 20 torcedores tinham se ferido, mas depois atualizou esse número para 17. As vítimas foram socorridas por ambulâncias, com 14 levados para o hospital Anjo Gabriel, em Mairiporã, e três para o hospital de Franco da Rocha. Os estados de saúde deles não foram divulgados.

De acordo com apuração do g1, o homem que morreu tinha 30 anos, sofreu ferimentos graves e foi encaminhado para o hospital, mas faleceu após receber atendimento. O nome dele não foi divulgado pelas autoridades. O g1 em Minas Gerais apurou que a vítima fatal é José Victor Miranda, membro da torcida organizada Máfia Azul de Sete Lagoas, na região central mineira.

A causa da morte não foi divulgada. Segundo parentes de José Victor ouvidos pela reportagem, a informação que tiveram é de que ele teria morrido dentro de um ônibus incendiado – dado ainda não confirmado pela polícia. Ele tinha dois irmãos, era separado e deixa um filho de 7 anos.

Um dos feridos sofreu um ferimento de arma de fogo no abdômen, mas não corre perigo de vida.

O que aconteceu

 

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, a emboscada ocorreu por volta das 5h20, no km 65 da via, sentido Belo Horizonte. Informações iniciais dão conta de que ônibus com os torcedores rivais se cruzaram, pararam na via e iniciaram o tumulto.

A Secretaria de Segurança Pública, procurada pelo ge, informou que a Polícia Civil investiga a briga e que, de acordo com informações preliminares, torcedores do Cruzeiro sofreram uma emboscada de torcedores organizados do Palmeiras.

O boletim de ocorrência está em elaboração pela Delegacia de Mairiporã, que requisitou perícia ao local. O delegado Ortiza disse que os policiais da ocorrência vão ser ouvidos e que pelo menos 60 torcedores do Cruzeiro vão prestar depoimento.

A Polícia Militar (PM) foi acionada por testemunhas para ir ao local atender a ocorrência. O Corpo de Bombeiros também foi mobilizado e apagou as chamas do ônibus. As autoridades não informaram ainda qual torcida viajava no veículo. Ainda não há informações se entre os feridos tem alguém que se queimou.

Segundo a PRF, os palmeirenses tinham acompanhado o empate por 2 a 2 entre o Palmeiras e o Fortaleza, no sábado na capital paulista. Os cruzeirenses, de acordo com os policiais, retornavam de Curitiba, no Paraná, onde o Cruzeiro perdeu por 3 a 0 para o Athletico no Brasileiro.

O Cruzeiro, no fim da manhã, se posicionou lamentando o ocorrido.

– O Cruzeiro lamenta profundamente mais um episódio de violência entre torcedores, desta vez durante a madrugada, na rodovia Fernão Dias, que culminou com a morte de um cruzeirense e vários feridos. Não há mais espaço para violência no futebol, um esporte que une paixões e multidões. Precisamos dar um basta a esses atos criminosos – diz a nota.

A Arteris Fernão Dias, concessionária responsável pelo trecho, foi procurada pela TV Globo para comentar o assunto.

– Para manter a segurança de usuários e colaboradores, a pista ficou interditada entre 5h14 e 6h30. Equipes do Cobom, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Militar foram acionadas para o atendimento da ocorrência – informa trecho da nota divulgada pela Arteris sobre a interdição temporária de um trecho da via, bem como da atuação do Corpo de Bombeiros, o Cobom.

A Polícia Civil vai investigar quem causou o confronto para depois responsabilizar os envolvidos diretamente na morte e nos ferimentos dos torcedores. Até a última atualização desta reportagem, não havia confirmação se algum suspeito pela briga foi detido.

O g1 também tenta identificar quais são as torcidas organizadas dos clubes de futebol envolvidas no confronto. Elas estão sendo procuradas para se posicionarem sobre o caso.

Organizadas têm histórico de confronto

 

Organizadas de Palmeiras e Cruzeiro tem um histórico de conflito, desde 1988, entre a Mancha Verde e a Máfia Azul, quando um dos fundadores da Mancha, Cléo Sóstenes Dantas da Silva, foi assassinado baleado com dois tiros.

Na partida seguinte ao ocorrido, disputada contra o Cruzeiro, a Mancha fez homenagens a Cléo, mas que terminou interrompida por cânticos de insulto da Máfia Azul em referência ao fundador – resultando em uma briga no setor destinado à torcida visitante.

Desde então, as organizadas guardaram um histórico de brigas, aliando-se, inclusive, às respectivas torcidas de seus rivais – a Mancha com a Galoucura, do Atlético-MG, e a Máfia Azul com a Independente, do São Paulo.

No retrospecto mais recente, em setembro de 2022, membros das organizadas Mancha Verde e Máfia Azul entraram em confronto no interior de Minas Gerais, na rodovia Fernão Dias.

Na época quatro torcedores com idades entre 26 e 33 anos foram baleados e 10, com idades entre 30 e 50 anos, foram feridos a chutes, socos e pauladas.

Ônibus queimado após confronto entre torcedores do Palmeiras e do Cruzeiro, segundo a PRF — Foto: Reprodução/Redes sociais

Ônibus queimado após confronto entre torcedores do Palmeiras e do Cruzeiro, segundo a PRF — Foto: Reprodução/Redes sociais

Por Redação do ge, com informações do g1 — São Paulo

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