Fluminense “amassa” o Botafogo no segundo tempo com formação que se aproxima do ideal
Time tem o seu melhor encaixe até aqui em 2022 após entrada de um meia; com Yago deslocado para fazer a ala direita e com Cano no comando de ataque. Falta depender menos da bola parada
Por Thiago Lima — Rio de Janeiro
Quatro vitórias seguidas, duas delas em clássicos, e o Fluminense de Abel Braga versão 2022 já começa a ganhar forma. Após cinco jogos, todos pelo Campeonato Carioca, o time encontrou o seu melhor encaixe até aqui na formação do segundo tempo do 2 a 1 sobre o Botafogo, na noite da última quinta-feira, no Estádio Nilton Santos. Ainda não dá para exaltar uma partida inteira, mas foram disparados os melhores 45 minutos do Tricolor na temporada.
Dentro do 3-4-3 implantado por Abel – e ao que parece já consolidado na cabeça do treinador –, o esquema tático funcionou mais azeitado com as mudanças feitas no intervalo: a entrada de Arias como meia, mesmo com o colombiano não sendo exatamente um armador, já deu uma outra cara ao time. Posição em que Nathan também é um forte concorrente e precisa ser melhor testado.
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Abel Braga encontrou melhor encaixe com mudanças no segundo tempo — Foto: Lucas Merçon / Fluminense FC
Para a entrada de um meia sem precisar abrir mão de um volante, o deslocamento de Yago para fazer a ala direita “resolveu dois problemas de uma só vez”, já que Samuel Xavier vem mal e foi alvo de vaias no primeiro tempo do Clássico Vovô. E no ataque, Cano procurou mais Luiz Henrique e deu muito mais opções de jogadas com sua movimentação do que Fred, que não vem bem em 2022 e precisa reconhecer isso. Com essas mexidas, o Fluminense amassou o Botafogo por 20 minutos.
Scout – Fluminense x Botafogo
| Quesito | Fluminense | Botafogo |
| Posse de bola | 58% | 42% |
| Finalizações | 17 | 3 |
| Chances de gol* | 8 | 3 |
| Faltas | 17 | 13 |
| Impedimentos | 4 | 3 |
| Escanteios | 11 | 5 |
Se no primeiro tempo o time teve 66% de posse de bola, sete finalizações e só duas chances de gol, ambas com Willian Bigode em passes da linha de fundo para trás – jogada claramente ensaiada –, era o Botafogo quem criava as melhores oportunidades: fez o gol com Kanu em escanteio e chegou com perigo em contra-ataques com Diego Gonçalves e Matheus Nascimento. Mas na etapa final, só deu Fluminense.
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Fred teve má atuação e foi presa fácil para a defesa do Botafogo — Foto: Lucas Merçon / Fluminense FC
Foram mais 10 finalizações e seis grandes oportunidades criadas, quatro delas em uma blitz de 20 minutos de um verdadeiro “ataque contra defesa”: Cano saiu cara a cara com Gatito e parou no goleiro aos dois minutos; David Braz perdeu uma chance clara sozinho na área após sobra de escanteio, aos cinco; Willian Bigode desencantou aos oito, e 10 minutos depois Luccas Claro, de cabeça, virou o jogo. O Tricolor diminuiu o ritmo após ficar em vantagem, mas nos acréscimos voltou a levar perigo com Cano e Caio Paulista, que só não ampliaram porque erraram a mira.
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Está difícil sair gol do Fluminense com a bola rolando em 2022 — Foto: André Durão
Poderia ter sido até uma goleada pelo volume ofensivo, mas foi mais uma vitória apertada, como todas as outras do ano. Agora fica a questão: por que esse time não pode começar os jogos? Coragem, Abelão! De um modo geral, pegando para avaliar a produção do Fluminense, o time vem criando bastante nos jogos, mas tem se tornado refém da bola parada. Dos cinco gols tricolores em 2022, quatro nasceram de faltas ou escanteios – só o de Arias contra Madureira foi com bola rolando.
