GP da Itália: Antonelli tenta quebrar jejum de 60 anos sem vitórias de italianos na prova

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Líder do campeonato aos 20 anos recém-completados, Kimi Antonelli chega ao GP da Itália deste fim de semana com a chance de devolver ao país um feito há muito tempo desejado: ter um piloto local ganhando em casa. Essa sensação, mais comum para outros países com tradição no automobilismo, tem escapado dos italianos há 60 anos.

A Itália despontou como força na Fórmula 1 já nos primeiros anos da categoria – tanto é que três dos quatro primeiros títulos ficaram com pilotos do país: Giuseppe Farina foi campeão em 1950, e Alberto Ascari levou a melhor em 1952 e 1953.

Ambos também sentiram o gosto de vencer em casa: Farina em 1950, e Ascari em 1951 e 1952. Contudo, a era de ouro acabou logo depois.

A última (e única) vitória de um italiano no GP da Itália após 1952 vai completar 60 anos nesta sexta-feira, 4 de setembro, e saiu das mãos de um herói improvável: Ludovico Scarfiotti, um nome não muito famoso na história da Fórmula 1. A trajetória dele na categoria explica o motivo.

Scarfiotti teve seu primeiro ano de grande destaque na carreira em 1963, quando venceu as 24 Horas de Le Mans e foi contratado para o time de pilotos da Ferrari na F1, com quatro competidores; porém, só participou de um grande prêmio naquele ano. Em 1964, correu o GP da Itália sem muito sucesso, com o nono lugar.

Na temporada de 1966, o piloto fez mais uma participação esporádica na Alemanha e, em seguida, chegou à prova no tradicionalíssimo Autódromo Nacional de Monza. O que poucos esperavam, porém, era que Scarfiotti fosse colocar sua Ferrari em segundo lugar no grid.

Em meio a muitos abandonos, Scarfiotti se manteve na briga pela liderança, assumiu a ponta na 13ª volta e sustentou até o fim para conquistar o único triunfo da carreira na Fórmula 1, com direito a dobradinha da Ferrari.

Única vitória de Ludovico Scarfiotti foi no GP da Itália de 1966 — Foto: Getty Images

Única vitória de Ludovico Scarfiotti foi no GP da Itália de 1966 — Foto: Getty Images

Não só isso: aquele foi o solitário pódio da passagem do italiano pela Fórmula 1, que terminaria em 1968: Ludovico morreu aos 34 anos, ao bater um Porsche 910 durante uma corrida de montanha nos Alpes alemães. Ele fez apenas dez provas na F1.

Depois do inesperado triunfo de Scarfiotti, outros pilotos italianos passaram pela categoria e venceram corridas. Alguns deles mais de uma vez, como Riccardo Patrese, Michele Alboreto, Giancarlo Fisichella e Elio de Angelis. No entanto, nenhum deles foi capaz de conquistar a vitória no GP da Itália e encerrar o jejum.

Vale ressaltar que Elio de Angelis e Riccardo Patrese chegaram a vencer no circuito de Ímola, mas a prova no Autódromo Enzo e Dino Ferrari só teve a nomenclatura GP da Itália em 1980, quando Nelson Piquet ganhou; na maioria das vezes, ficou conhecida como GP de San Marino.

Antonelli terá corrida de recuperação

 

Para a Itália, a ascensão de Kimi Antonelli representa uma oportunidade única de quebrar o jejum de seis décadas. No ano passado, o piloto nascido na cidade de Bolonha participou da corrida em Monza, mas ainda como calouro, com um carro menos competitivo do que o atual e em má fase. O até então novato acabou em nono.

Um ano depois, Antonelli chega a Monza em um momento totalmente diferente. O italiano esteve no pódio em dez das 12 corridas deste ano, venceu seis provas – sendo cinco delas em sequência – e está na liderança do campeonato, 59 pontos à frente de George Russell e Lewis Hamilton.

Kimi Antonelli celebra vitória no GP da Bélgica da F1 2026 — Foto: Steven Tee/LAT Images

Kimi Antonelli celebra vitória no GP da Bélgica da F1 2026 — Foto: Steven Tee/LAT Images

 

Isso não quer dizer que Antonelli chegue como favorito a vencer o GP da Itália. Afinal, a Mercedes confirmou que escolheu a prova em Monza para trocar o motor do jovem piloto, por motivos estratégicos.

Cada carro tem um limite de trocas de motor por temporada sem que punições sejam aplicadas. Entretanto, as falhas de confiabilidade enfrentadas pela Mercedes no início do campeonato fizeram com que Antonelli chegasse ao limite rapidamente. Portanto, a nova troca na Itália levará o piloto a uma punição de, no mínimo, dez posições no grid.

Largando atrás, Antonelli vai ter que fazer uma corrida de recuperação se quiser vencer e finalmente quebrar o jejum italiano. Mas a escolha da Mercedes por levar a punição na Itália tem relação exatamente com a possibilidade de isso acontecer.

Kimi Antonelli com carro da Mercedes na garagem antes do GP de Mônaco — Foto: Manon Cruz/Reuters

Kimi Antonelli com carro da Mercedes na garagem antes do GP de Mônaco — Foto: Manon Cruz/Reuters

 

Como o Autódromo de Monza tem muitas retas e pontos de ultrapassagem, a equipe acredita que, em teoria, a dificuldade para Antonelli conseguir uma corrida de recuperação será menor. O próprio piloto concorda com a análise do time.

– Obviamente, chegando a Monza nós temos uma penalidade por causa do motor, mas eu ainda acho que é a melhor pista para sofrer (a punição). É claro, é a minha corrida em casa, coisa e tal, mas é a melhor corrida para fazer isso. Eu acho que ainda vou ter uma chance de conseguir um grande resultado e obter bons pontos – disse o piloto.

Antonelli, que chegou à Fórmula 1 ao substituir Lewis Hamilton na Mercedes, terá que superar – além de outros concorrentes – justamente o britânico com a Ferrari, a grande paixão do automobilismo italiano. O certo é que o domingo será de fortes emoções para a torcida em Monza.

Últimos pilotos italianos a correrem o GP da Itália

Nome Nº de corridas Período Melhor posição
Kimi Antonelli 1 2025
Antonio Giovinazzi 3 2019-2021
Vitantonio Liuzzi 5 2006-2011 12º
Giorgio Pantano 1 2004 Não concluiu.
Gianmaria Bruni 1 2004 Não concluiu.
Jarno Trulli 15 1997-2011
Giancarlo Fisichella 13 1997-2009
Giovanni Lavagi 2 1995-1996 Não concluiu.
Max Papis 1 1995
Andrea Montermini 1 1995 Não concluiu.

 

Por Breno Peçanha e Bruna Rodrigues — Monza, Itália

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