Lula em discurso na ONU: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”

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Discurso do presidente brasileiro abriu os trabalhos da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York

 

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou ameaças de ingerências externas em processos eleitorais durante discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, Estados Unidos, nesta terça-feira (22/9). Sem mencionar o país norte-americano, o petista disse que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”.

“Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomenta o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não deve ser obstáculo para maior integração entre vizinhos”, afirmou o presidente.

“A democracia está novamente em cheque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, ressaltou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a regulação de big techs e a criação de regras e de uma governança internacional para o uso de inteligência artificial.

“Empresas transferem para famílias a tarefa de enfrentar algorítimos. Bets transformam o vício em lucro que está destruindo lares. O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio. Aprovamos uma legislação pra proteger crianças e mulheres”, disse.

“Não vamos ceder à pressão de multinacionais que querem privatizar o nosso PIX”, prosseguiu.

 

Lula abriu a manhã de discursos do debate geral da Assembleia, em Nova York. Por tradição, o Brasil é o primeiro país a se pronunciar, seguido pelos Estados Unidos.

🗺️ A Assembleia Geral da ONU é o principal evento das Nações Unidas e acontece anualmente em Nova York. Durante a assembleia, líderes dos 193 países membros da ONU discursam.

🗨️ O Brasil é tradicionalmente o responsável pelo discurso de abertura do debate de líderes na ONU, que está em sua 81ª edição. Cada país tem o direito de fazer um discurso para apresentar seu ponto de vista sobre o tema do encontro e a situação global. O tema deste ano é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.

Na plenária, Lula defendeu que o desenvolvimento e o controle da inteligência artificial não fiquem concentrados nas mãos de poucas empresas ou países.

O presidente brasileiro defende que a tecnologia deve contribuir para o desenvolvimento e a redução das desigualdades, e não aprofundar diferenças entre países ou ser usada para alimentar conflitos.

Na avaliação do Brasil, é preciso criar regras internacionais para o uso da tecnologia, com participação dos governos e mecanismos para a proteção de direitos e dados pessoais.

Nos últimos anos, governos de diferentes países passaram a se reunir para discutir os riscos da tecnologia e possíveis regras comuns.

Em 2023, representantes de 28 países, entre eles Brasil, Estados Unidos e China, participaram, no Reino Unido, da primeira Cúpula de Segurança da Inteligência Artificial.

O encontro terminou com a chamada “Declaração de Bletchley” que reconhece perigos associados à IA e defende cooperação internacional para enfrentar.

Em 2025, mais de 100 países participaram, em Paris, da Cúpula de Ação sobre Inteligência Artificial. Entre os temas discutidos estavam: segurança, acesso à tecnologia e formas de estabelecer uma governança internacional para a IA.

Em julho deste ano, a ONU realizou, em Genebra, o primeiro Diálogo Global sobre Governança da Inteligência Artificial, criado para manter os países reunidos em torno de temas como regras, riscos e cooperação internacional.

O que o Brasil defende sobre inteligência artificial?

 

O governo brasileiro defende que a inteligência artificial precisa ter regras, assim como outras áreas da sociedade. A preocupação é evitar que poucas empresas ou poucos países concentrem o controle da tecnologia.

O Brasil também defende que existam limites para o uso da IA, formas de proteger pessoas e para responsabilizar por crimes cometidos na esfera digital.

Outro ponto é garantir que os benefícios da inteligência artificial não fiquem restritos aos países mais ricos. A posição do governo brasileiro é de que a tecnologia também seja usada para melhorar áreas como educação, saúde e desenvolvimento econômico, sem aumentar ainda mais as desigualdades.

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