Mais do que pulga, Cano e Arias colocam “um elefante atrás da orelha” de Abel no Fluminense

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Por Thiago Lima — Rio de Janeiro

Se a primeira impressão do time alternativo foi ruim, contra o Audax, a segunda mudou da água para o vinho. E como um bom apreciador de vinho, Abel Braga degustou a vitória por 1 a 0 sobre a Portuguesa na tarde de domingo no Nilton Santos, pela sexta rodada do Campeonato Carioca. Apesar do placar real ter sido mais uma vez magrinho, o placar moral dava até para goleada em uma atuação que rendeu mais opções para o treinador às vésperas da Pré-Libertadores.

Ao elogiar o desempenho do time na entrevista coletiva pós-jogo, Abel brincou que alguns testes “estão colocando pulga” atrás de sua orelha. Nos casos de Germán Cano e John Arias, artilheiros do Fluminense em 2022, não foi uma mera pulga, mas sim um elefante inteiro. O centroavante argentino em dois jogos como titular fez dois gols decisivos, enquanto o meia-atacante colombiano vem mudando as partidas quando entra. Contra a Portuguesa, ele saiu jogando e foi o melhor em campo.

Restando duas partidas antes da estreia tricolor na Pré-Libertadores, no dia 22 contra o Millonarios na Colômbia, Abel antecipou um pouco do planejamento e indicou mudanças. Disse que quarta-feira vai ser um time diferente do que venceu os clássicos e totalmente distinto do que encarou a Portuguesa. Talvez isso signifique uma chance para a dupla Cano e Arias (ou um dos dois) como titular na equipe principal, no último teste antes do “jogo do ano”, já que sábado a ideia é poupar novamente.

Arias e Cano: dupla vem pedindo passagem no Fluminense versão 2022 — Foto: André Durão

Mas não foram só os dois. Em um jogo onde praticamente ninguém foi mal, outros jogadores também souberam aproveitar a oportunidade e se credenciaram à fila de espera na equipe titular. A trinca de zaga, por exemplo, foi segura na maior parte do tempo, com brilho maior de David Duarte, que foi preciso nos botes; fez um pouco do papel de Nino na saída de bola e ainda apareceu no ataque para dar a assistência para Cano na bola aérea. Destaque para o gol que nasce de uma cobrança de lateral na área, em jogada ensaiada com o zagueiro grandalhão, de 1,92m.

A dupla de volantes também foi bem, com direito à surpresa com relação a Nonato, que havia jogado poucos minutos em 2022. Ele entrou de titular pela primeira vez com Abel e deu conta do recado, tanto na marcação quanto pisando na área para finalizar. E Calegari, que quase fez um golaço mas parou no travessão, mais uma vez deu provas de sua maturidade tática e de sua evolução ofensiva. Diante da má fase do titular Samuel Xavier, o lateral-direito se credencia à posição.

Abel gostou do que viu, mas saiu do jogo com a "orelha pesada" — Foto: Mailson Santana / Fluminense FC

Abel gostou do que viu, mas saiu do jogo com a “orelha pesada” — Foto: Mailson Santana / Fluminense FC

Os destaques individuais são frutos de uma atuação coletiva convincente no melhor jogo do Fluminense na temporada até aqui. Um exemplo disso é que pela primeira vez o primeiro tempo terminou sob aplausos da torcida. Foram cinco chances de gol: o chute de Arias após pressionar a saída de bola do goleiro aos 11 minutos; a bomba de Calegari no travessão aos 13; o chute para fora de Nonato quase na pequena área aos 36; a bola na trave de Martinelli aos 44 e a bola que Calegari pegou de primeira e isolou após boa jogada de Cris Silva e Arias aos 45.

Scout – Fluminense x Portuguesa

Quesito Fluminense Portuguesa
Posse de bola 55% 45%
Finalizações 19 5
Chances de gol 7 2
Faltas 18 13
Impedimentos 2 4
Escanteios 8 3

No segundo tempo, mais duas oportunidades claras: a do gol de Cano aos sete minutos, em lindo giro de corpo do argentino; e aos 32 com Arias cara a cara com o goleiro após receber um bolão de Luiz Henrique. O colombiano chutou mal, mas houve um empurrão do zagueiro que desequilibrou o meia-atacante e deveria ter sido marcado pênalti. Ao todo, o Fluminense terminou o jogo com 19 finalizações contra cinco da Portuguesa, e 55% a 45% na posse de bola.

Bola parada defensiva do Flu voltou a falhar, e quase a Portuguesa marcou — Foto: Mailson Santana/Fluminense FC

Bola parada defensiva do Flu voltou a falhar, e quase a Portuguesa marcou — Foto: Mailson Santana/Fluminense FC

A Portuguesa, que até então tinha a melhor campanha entre os times de menor investimento do Carioca, pouco assustou. Foram duas chances de gol, sendo uma delas em um bate-rebate em que o atacante Bruno Santos levou sorte e saiu na cara do goleiro, mas chutou na linha lateral do campo aos 28 do primeiro tempo. Já a cabeçada perigosa do zagueiro Leandro Amaro, aos 17 minutos, liga um sinal de alerta na bola parada, que foi como o time foi vazado pelo Botafogo no jogo passado. Mas fato é que Fábio não precisou fazer nenhuma defesa e sequer sujou o uniforme.

Os jogadores do Fluminense se reapresentam na tarde desta segunda-feira no CT Carlos Castilho. O próximo jogo será na quarta contra o Nova Iguaçu, às 21h35 (de Brasília), no Luso-Brasileiro. Com a vitória do Tricolor e a derrota do Vasco para o Botafogo, o time de Abel Braga assumiu pela primeira vez a liderança do Carioca com 15 pontos, dois a mais que os rivais Flamengo, Botafogo e Vasco.

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