Necrópsia aponta que ‘Leôncio’ foi morto com golpes de objeto cortante
Instituto Biota de Conservação encaminha laudo sobre morte do elefante-marinho a órgãos federais
O laudo de necropsia de “Leôncio”, elefante-marinho encontrado morto em Jequiá da Praia, revelou que a morte do animal não foi natural. O animal foi morto com golpes de objeto cortante quando ainda estava vivo. Diante disso, o Instituto Biota de Conservação apresentou uma denúncia formal ao Ministério Público Federal (MPF), ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ao Instituto do Meio Ambiente (IMA). Agora o caso passa a ser tratado como um ato violento e criminoso.
“Acabo de protocolar denúncia com o laudo de necropsia do Leôncio nos sistemas do MPF, Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis ]. Desculpa a hora, mas isso estava consumindo a equipe e precisávamos concluir”, informou Bruno Stefanis, biólogo e diretor-executivo do Biota, na madrugada deste sábado (4), em um grupo de WhatsApp voltado à imprensa alagoana.
O relatório também foi encaminhado por e-mail ao Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) e a várias divisões do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), incluindo o Centro de Mamíferos Aquáticos e as gerências das Áreas de Proteção Ambiental (APAs) Costa dos Corais e Piaçabuçu.
Leôncio foi encontrado morto, na tarde do último dia 31 de março, no povoado de Lagoa Azeda, em Jequiá da Praia. O corpo do animal estava partido ao meio e com mutilações severas. O animal foi recolhido por técnicos do Biota e encaminhado à sede do instituto para investigar as causas da morte.
O caso gerou comoção entre os alagoanos, que acompanharam a passagem do elefante-marinho pelo estado. Especialistas também destacaram a importância da participação da população, que contribuiu com informações e registros ao longo do período em que o animal esteve na região.
O litoral alagoano acompanhou com entusiasmo, desde o dia 11 de março, a presença do elefante-marinho apelidado de Leôncio, que se tornou atração nas praias da região e mobilizou equipes de monitoramento ambiental, como o IMA/AL e o Instituto Biota de Conservação.
Leôncio vinha sendo monitorado desde o início de março após aparecer em diferentes pontos do litoral alagoano. Enquanto esteve em Alagoas, o mamífero recebeu atenção especial das equipes responsáveis do Instituto Biota, que garantiram sua segurança e divulgaram orientações à população sobre os cuidados necessários com ele. A presença de Leôncio despertou curiosidade e carinho, tornando-se símbolo de conscientização ambiental.
As últimas imagens do animal com vida foram registradas no último 27 de março, justamente na mesma região onde o corpo foi encontrado. Desde então, equipes intensificaram as buscas, após o desaparecimento chamar a atenção de moradores e visitantes.
