Neymar encaixa como falso 9, mas decepciona em cinco meses e deixa Santos na mão
Entre lesões e expulsão em possível último ato, contra o Botafogo, craque termina primeiro ciclo de retorno em baixa; resta saber se vai renovar ou não
O domingo tinha tudo para ser feliz para o torcedor do Santos, mas terminou de forma melancólica e com uma possível (não provável) despedida de Neymar expulso. A derrota por 1 a 0 para o Botafogo, na Vila Belmiro, externou de forma dolorosa a incapacidade do time de fazer gols neste Campeonato Brasileiro.
Enquanto o técnico Cleber Xavier se esforça para trabalhar e melhorar tática e tecnicamente o time do Santos nas partidas recentes, com visível melhora de desempenho, sofre para explicar por que seus jogadores não têm capacidade de marcar gols.
Em 11 jogos, são apenas oito gols marcados. A derrota deste domingo mantém o Peixe na zona do rebaixamento, depois de uma partida frustrante por um claro domínio imposto do começo do jogo até os 30 minutos do segundo tempo, quando Neymar acabou expulso.
Neymar, aliás, tem agora 30 dias até o fim de seu contrato – sem compromissos oficiais e com tempo de sobra para encerrar a novela se fica ou se vai embora do Santos ao fim do primeiro semestre. Se ficar, seu próximo duelo será apenas em 13 de julho.
Quase um mês e meio para voltar à melhor forma física possível e disputar na metade final do ano mais do que os 12 jogos feitos até aqui em cinco meses, com duas lesões na coxa esquerda. A decisão de continuar parece fácil e lógica. Lógico, também, é não postergá-la depois do fiasco esportivo.
Falso 9 funciona
Em campo, Neymar funcionou em uma escalação nova testada por Cleber Xavier: Barreal e Guilherme abertos pela ponta, Rollheiser caindo mais pelo meio e o camisa 10 como o homem mais avançado da equipe, na frente e com a obrigação de pressionar a saída, mas leve para voltar até o meio-campo.
A pressão do Santos empurrou o Botafogo para trás e deu ao time ligeira vantagem durante todo o jogo, com boa imposição e criação no meio-campo e chegadas contundentes à frente. No início da etapa final, o gol pareceu questão de minutos, com chances claras empilhadas.
Souza e Escobar dominando as laterais e Zé Rafael bem postado no meio-campo deram sinais de que o Santos pode, de fato, brigar por coisas bem melhores neste Brasileiro.
O roteiro, porém, parecia escrito por um diretor aventureiro e cruel. Depois de dar um pontapé em Jair no primeiro tempo e receber cartão amarelo, Neymar, de forma deliberada, deu um tapa com a mão na bola, na pequena área, aos 29 minutos da etapa final, sendo expulso.
Foi questão de minutos para sair vaiado pela torcida do Botafogo e o Santos sofrer o gol que seria da vitória carioca.
É difícil dizer algo se não que o projeto esportivo de Neymar no Peixe nestes primeiros meses “flopou”. Ficou no quase. Quase jogou a semifinal do Paulistão, quase conseguiu classificar o time na Copa do Brasil e quase conseguiu vencer o Botafogo em jogo que parecia perfeito para tal.
Ao Santos, cabe achar soluções sem Neymar em 11 dias até o duelo contra o Fortaleza, o último para tentar ir para a virada de semestre com melhor pontuação na tabela.
Por Ana Canhedo, ge — Santos, SP
