NFL fura a bolha, coroa expansão no Brasil com jogo épico e mostra que chegou para ficar
Partida no Maracanã atinge ápice da entrada da liga no país e abre portas para mais jogos por temporada, como ocorre em Londres
Se fosse um filme, é provável que o roteirista fosse acusado de preguiçoso, com o clichê de um final heroico. O terceiro jogo da NFL no Brasil, que acabou com a vitória do Baltimore Ravens por 34 a 31 sobre o Dallas Cowboys, ganhou contornos épicos em seus segundos finais. O chute de Tyler Loop — que viveu redenção pessoal, superando um chute errado decisivo na última temporada — foi o ápice da expansão da liga no país. Os dois jogos anteriores já haviam sido um sucesso, mas o Maracanã coroou de forma emocionante.
Aos poucos, o futebol americano tem conseguido vencer as barreiras naturais que o separam da cultura brasileira. As regras, que soam confusas, não teriam como ser um obstáculo para o público em um jogo definido com um chute no gol literalmente no último segundo. Até mesmo os mais desinformados conseguiram entender exatamente do que se tratava o field goal da vitória de Baltimore.
Além dos aspectos técnicos, o entretenimento, que caminha lado a lado com os touchdowns quando se trata da NFL, também ajudou a aprimorar o espetáculo no “Super Bowl brasileiro”. Ricky Martin e Pedro Sampaio levantaram a torcida no Maracanã, capturaram as atenções e furaram a bolha — o que é, no fim das contas, o objetivo número um da liga no país.
Até mesmo as preocupações com o gramado, tópico excessivamente explorado durante a semana que antecedeu a partida, saíram de cena após o apito final. Os treinadores das duas equipes não fizeram reclamações e evitaram o assunto. No campo, se observaram poucos escorregões dos jogadores.
RECORDE DE PÚBLICO NO MARACANÃ EM 2026
Os números também sustentam o sucesso. Os 72.792 torcedores presentes no Maracanã quebraram o recorde de público em eventos esportivos no país em 2026. A marca expressiva supera por muito as dos jogos em São Paulo, disputados na Neo Química Arena, que dispõe de capacidade bem menor que a do estádio do Rio de Janeiro. O recado é claro para a liga: a demanda existe. E só tende a aumentar.
Com a imagem incontestável de um jogo eletrizante disputado em um estádio lotado, barulhento e colorido com camisas de todas as equipes da liga, a NFL chega ao seu mais alto patamar da expansão global no Brasil. É natural que, a partir dos próximos contratos, comece a se cogitar a possibilidade de mais de um jogo por temporada no país, como ocorre em Londres. A capital inglesa tem recebido três partidas por ano, e o Reino Unido é um mercado que já foi ultrapassado pelo brasileiro, que só está atrás do mexicano.
Por Pedro Guevara — Rio de Janeiro
