O que esperar do Japão no mata-mata? Eficiência ofensiva é ponto forte na Copa do Mundo de 2026

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O próximo adversário do Brasil na Copa do Mundo exige atenção. O Japão avançou em segundo no grupo F, com uma vitória e dois empates. O Gato Mestre* analisou as três partidas da seleção asiática na fase de grupos e um dado se destaca: a eficiência ofensiva, com um gol a cada 3,71 finalizações.

Só Noruega (3,43) e Portugal (3,67) foram mais eficazes na competição. O número japonês poderia ser ainda mais alto, mas a equipe insiste em finalizar de fora da área, onde a chance de gol é menor. Foram 26 finalizações na Copa, e das 13 feitas de longe, só duas viraram gols, de Nakamura e Ueda. De dentro da área saíram cinco. A conta reforça a probabilidade maior de gol em arremates de menor distância.

A opção japonesa pelos arremates de longa distância não é exceção. Metade das finalizações da seleção sai de fora da área, proporção até menor que a de outras 11 equipes na Copa. Cabo Verde lidera essa lista: 78% dos 18 chutes vieram de longe. No extremo oposto está o Brasil, que concentra o jogo perto do gol, com 75% das 36 finalizações de dentro da área.

Quando o jogo trabalhado não abre espaço, sobra a bola parada. Nesse setor, o Japão tem em Junya Ito a referência, cobrador dos escanteios. O recurso já rendeu um gol. No empate por 2 a 2 com a Holanda, Ito bateu na marca do pênalti e Ogawa concluiu. A bola ainda desviou em Kamada antes de entrar. A Fifa creditou o gol ao meia, com assistência de Ogawa.

O mesmo Kamada que herdou o gol da Fifa lidera a eficiência japonesa. Segundo o economista Bruno Imaizumi, ele é o jogador mais eficiente da seleção na relação entre xG (expectativa de gols) e finalizações: as duas que tentou na Copa terminaram em gol.

Artilheiro do time ao lado dele, Ueda aparece logo atrás. Acumulou xG de 0,48 em sete finalizações e converteu duas. Veja os mais eficientes do Japão por xG:

Jogadores mais eficientes do Japão na Copa 2026

Jogador xG Finalizações Gols Eficiência
Kamada 0,42 2 2 1,58
Ueda 0,48 7 2 1,52
Nakamura 0,29 5 1 0,71
Junya Ito 0,30 1 1 0,70
Maeda 0,35 2 1 0,65

Comemoração de gol do Japão na Copa do Mundo de 2026 — Foto: Hector Vivas – FIFA/FIFA via Getty Images

 

Outro ponto forte do Japão é a construção ofensiva. O time de Hajime Moriyasu, no comando da seleção há oito anos, transforma posse em chance real com frequência. Das 26 finalizações na Copa, sete foram cara a cara com o goleiro. Isso equivale a 26,9% do total.

O gol no empate por 1 a 1 com a Suécia resume essa qualidade. Pela direita, Ueda e Doan trocaram passes até o camisa 10 encontrar Maeda na medida, livre diante de Zetterström.

Diante desse repertório, o Brasil terá de redobrar a atenção para neutralizar o Japão. Conter Kamada, Nakamura e Ueda na entrada da área será tão decisivo quanto travar a bola parada de Junya Ito. As duas seleções se enfrentam na próxima segunda, em Houston, às 14h de Brasília.

 

Por Roberto Maleson — Rio de Janeiro

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