Paulo Guedes é convidado a dar explicações na Câmara sobre saída da Caixa e BB da Febraban
Requerimento para convocação foi transformado em convite; Guedes deve comparecer à Comissão de Fiscalização e Contole no dia 29
A Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara aprovou nesta terça-feira um convite para que o ministro da Economia, Paulo Guedes, compareça à comissão para dar explicações sobre a saída do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), entidade que representa instituições financeiras do país.
O requerimento para convocação o ministro foi apresentado pelo deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) e houve acordo para que fosse transformado em convite. Guedes não é obrigado a comparecer.
Ribeiro, que é presidente da comissão, fez um discurso duro. Para ele, os dirigentes dos dois bancos estatais devem “se debruçar com seus técnicos em suas salas de reuniões enormes e confortáveis e pensar como socorrer milhões brasileiros desempregados”.
— Perdemos o foco, conseguimos desempregar até o desempregado (…) Quando o governo perde o foco do que realmente o cidadão precisa e gasta o seu tempo em usar instituições com viés político a luz amarela tem que acender — afirmou.
Ameaça de desfiliação
A ameaça de desfiliação dos dois bancos públicos da Febraban, revelada pelo colunista Lauro Jardim, ocorreu após a entidade aderir à nota idealizada pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) condenando a “escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades públicas”. Em contrapartida, foi divulgado um manifesto assinado por sete entidades da agroindústria.
—A única agenda do governo e do presidente Bolsonaro é criar crises, e o Brasil está à deriva. Não é a toa que o agronegócio já fez sua nota — disse o deputado Léo de Brito (PT-AC).
O deputado Sanderson (PSL-RS), vice -líder do governo na Câmara, informou que Guedes pode comparecer no dia 29 de setembro para prestar esclarecimentos os parlamentares. O ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni, também está disposto a dar explicações.
— Confesso que não sabia que a Caixa Federal e o Banco do Brasil pagavam fortunas para serem sócios de um sindicato de bancos, dinheiro público, dinheiro público sendo destinado para Febraban — disse o vice-líder questionando o motivo de instituições públicas participarem de um “seleto grupo” com outros interesses.
— Graças a Deus temos hoje um presidente Caixa patriota que, não concorda com esse tipo de situação, uma entidade privada apresentando notas críticas para bater no presidente da República, para bater governo federal — disse Sanderson.
Na sessão, também foi aprovado requerimento para realização de audiência pública coma presença dos presidentes da Caixa e Banco do Brasil para discutir o assunto.
