Análise: Lázaro fracassa em plano tático, e Corinthians mostra que só vontade não ganha jogo
Timão leva gol cedo, não consegue reagir e perde por 1 a 0 para o Argentino Juniors em Itaquera
Só vontade não ganha jogo. Apenas raça, dedicação e entrega são insuficientes para uma vitória na Conmebol Libertadores. Embora sejam ingredientes importantes, é preciso mais para triunfar. E o Corinthians, ao não ter mais do que isso, perdeu por 1 a 0 para o Argentino Juniors.
É preciso organização, um bom plano de jogo, repetição de padrões e um time que saiba o que fazer quando tem a bola. Você já cansou de ouvir isso: mas desde que Renato Augusto machucou, o Corinthians tem pouco a mostrar. A derrota foi dolorida, mas não dá para dizer injusta.
O Corinthians até teve chances de empatar no final, em finalizações de Fausto Vera (o melhor do time), Róger Guedes e Paulinho, num chute para fora que congelou o coração de torcedores. Mas tudo na base da pressão, da luta, da tentativa desesperada. Pouco de futebol planejado.
Mais uma frustração para o torcedor do Corinthians no ano. Eliminado nas quartas do Paulistão para o Ituano e derrotado para o Remo na estreia da Copa do Brasil, o Timão passou por mais um apuro na temporada de estreia de Fernando Lázaro. No primeiro desafio do torneio sul-americano, fracassou.
A derrota passou, e muito, por um plano de jogo que deu errado. Para armar seu meio-campo, Lázaro começou com Cantillo, que havia entrado bem contra o Liverpool no Uruguai, compôs o meio com Roni e Giuliano e apostou no bom momento de Matheus Araújo, que foi bem nos minutos contra o Cruzeiro.
Na defesa, a aposta foi em Balbuena. Pela estatura, o treinador preferiu colocar o paraguaio para colar em Ávalos, um dos destaques do bom time do Argentinos Juniors. Logo no começo do jogo, numa escapada pela esquerda, a zaga do Timão ficou completamente vendida, e Cabrera abriu o placar.
Forte nos contra-ataques, o time argentino teve nas mãos o jogo que quis, engatando contra-golpes sempre perigosos quando o Timão perdia a bola. E como perdeu a bola o Corinthians! Cantillo, que era para ser o homem de ligação com o ataque, deixou o time frágil. Matheus Araújo sentiu o peso.
O intervalo pedia mudanças, talvez a entrada de Adson, que tem jogado menos, ou até de Pedro, para reforçar o lado ofensivo do time pela direita, já que Fagner saiu com dores aos 38 e deu vaga a Du. As escolhas foram polêmicas: entraram Roni e Romero nas vagas de Cantillo e Matheus Araújo.
Roni entrou bem, ajudou a rodar a bola e foi combativo, enquanto Romero pouco foi notado. Na base do abafa, o Corinthians lutou pelo empate até o final. Paulinho entrou na vaga de Giuliano e também foi opção na bola aérea. O Timão tentou, lutou, correu, suou. Mas foi o pior time em campo.
No apito final, a torcida cantou: “P…, que saudade! Quando o Corinthians jogava com vontade”. Não faltou vontade. A lista do que faltou é grande e tem mais a ver com organização e padrão tático.
Por Marcelo Braga — São Paulo
