As muitas diferenças entre Palmeiras e Boca cinco anos depois
Equipes se enfrentaram nas semifinais da Libertadores de 2018, e de lá pra cá tomaram rumos totalmente distintos.
Cinco edições depois o reencontro! Palmeiras e Boca Juniors vão reeditar a partir da última semana de setembro um duelo que aconteceu na mesma semifinal em 2018. Na ocasião, o time argentino conseguiu passar ao bater o Verdão comandado por Luiz Felipe Scolari, em um 2×0, com gols de Benedetto na Bombonera. Mas o clube que os argentinos vão encarar hoje é muito diferente daquele.
O principal é a manutenção no comando técnico. Depois de Felipão, o Palmeiras ainda teve Mano Menezes e Vanderlei Luxemburgo dirigindo o time. Abel assumiu em novembro de 2020 e comandou uma revolução no departamento de futebol do clube. As conquistas precoces deram sobrevida ao trabalho de campo, que foi se desenvolvendo a ponto de ter a equipe mais sólida do continente neste momento.
A mudança promovida pelo português não afeta somente a organização dentro das quatro linhas, mas a forma como age no mercado de contratações. Antes agressivo e disposto a pagar altas multas rescisórias em destaques indiscutíveis do cenário, o clube passou a apostar na manutenção das principais peças com o pagamento de salários valorizados.
Um elenco mais enxuto, com estrelas pontuais, mas cientes do comportamento necessário para dar continuidade a uma hegemonia de títulos que já dura quatro temporadas. Sem Abel Ferreira, seria muito dífícil ter tal clareza no modelo de trabalho pensado para o futebol do Palmeiras, mesmo que haja competência na administração recente do clube.
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Abel Ferreira e Leila Pereira depois de treino no Palmeiras — Foto: Cesar Greco
Já o Boca, que tinha o comando técnico de Guillermo Schelotto em 2018, teve mais rotatividade. Gustavo Alfaro, Miguel Ángel Russo, Sebastián Battaglia, Hugo Ibarra, e o atual Jorge Almirón, são os treinadores neste período. Pouco se comparado a maioria das equipes grandes da América do Sul. O problema foi a total falta de ”norte” no projeto de futebol do clube.
É basicamente unânime que, mesmo conquistando a maioria dos titulos que disputou dentro da Argentina nos últimos anos, houve uma queda na qualidade do futebol apresentado. Isso é responsabilidade do potencial menor de investimento em relação ao mercado de 2018, mas também de escolhas muito mal feitas.
Juan Román Riquelme é o dirigente mais influente dos Xeneizes, um ídolo incontestável enquanto jogador, mas de trabalho questionável fora dos gramados. O Boca, com um futebol pobre, caiu nas oitavas de final nas duas últimas edições de Libertadores. Em 2023 segue sem se colocar entre os melhores desempenhos do continente e foi derrotado pelo Deportivo Pereira na fase de grupos, o mesmo que o Palmeiras despachou com tranquilidade.
Outra forma de enxergar a diferença de estabilidade entre os dois clubes é comparar a manutenção dos elencos desde 2018. Dos 11 jogadores que foram titulares no jogo da eliminação palmeirense na Bombonera, cinco (Weverton, Mayke, Gustavo Gómez, Luan e Dudu) seguem. No Boca Juniors não há ninguém no plantel atual que tenha iniciado aquele jogo. Apenas Benedetto, reserva decisivo na ocasião, é um suplente dos dias atuais.
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Vice-presidente e grande ídolo do Boca Juniors, Riquelme entrega a camisa 10 do clube para Lionel Messi — Foto: Reprodução/Instagram
Até a evolução tática em campo é diferente. O Boca, assim como há cinco anos, é um time muito mais seguro defensivamente do que altamente produtivo no ataque. Encontra dificuldades de achar o equilíbrio entre as duas coisas. Tem problemas para criar e alimentar um atacante da qualidade de Edinson Cavani.
Já o Palmeiras se desenvolveu. Se era uma equipe muito pautada no jogo reativo e nas bolas paradas para se impor até meados de 2021, esse jogo virou totalmente com a sequência dada a Abel Ferreira. Hoje o time acha suas rotas de ataque de forma natural, intensa e rápida. Há repertório de sobra para furar defesas fechadas. Característica que certamente precisará usar durante os 180 minutos do confronto.
O time brasileiro não vai vestir essa carapuça, mas é impossível não ver a balança do favoritismo não pender para o lado alviverde no duelo. A diferença como os projetos dos clubes foram conduzidos desde então reforça a sensação, por mais que o futebol muitas vezes insista em não premiar a razão.
Por Rodrigo Coutinho, ge
