Ronaldinho Gaúcho comparece à CPI das Pirâmides Financeiras e nega envolvimento com empresa investigada
Ex-jogador se defendeu de acusações de que não teria atendido às duas convocações anteriores para prestar depoimento sobre envolvimento com uma empresa ligada à venda de criptomoedas
O ex-jogador Ronaldinho Gaúcho compareceu à reunião desta quinta-feira da CPI das Pirâmides Financeiras. A presença dele era esperada em Brasília depois que ele, mesmo após duas convocações, não compareceu à comissão, o que motivou o pedido de uma condução coercitiva por parte da CPI.
Ronaldinho é apontado pela comissão como fundador e sócio-proprietário da 18K Ronaldinho, empresa ligada à venda de criptomoedas, e que prometia rendimentos de até 2% ao dia, mas bloqueou contas e não pagou os investidores. Em 2020, Ronaldinho se tornou réu em uma ação coletiva, que pede R$ 300 milhões em prejuízos aos investidores.
O ex-jogador compareceu à CPI acompanhado do advogado e do irmão dele, Roberto Assis, que também atua como empresário de Ronaldinho. Assis, inclusive, foi ouvido pela comissão na última semana.
No depoimento desta manhã, Ronaldinho afirmou que está aberto a colaborar com a CPI e negou que tenha sido intimado para prestar depoimento. Ele também negou envolvimento com a empresa citada pela comissão. Segundo ele, foram feitas tentativas de marcar o depoimento, mas os e-mails enviados pela defesa dele não teriam sido respondidos pela CPI.
– Não é verdade que sou fundador e sócio-proprietário da empresa. Eu nunca fui sócio da empresa. Os sócios utilizaram indevidamente o meu nome para criar a razão social dessa empresa. Inclusive eu já fui ouvido pelo MPSP e pela PCRJ, na condição de testemunha. Eu jamais autorizei a utilização do meu nome e imagem pela empresa – disse.
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Ronaldinho Gaúcho presta depoimento à CPI das Pirâmides Financeiras — Foto: Lucas Magalhães
Os deputados usaram peças publicitárias da empresa de criptomoedas investigada pela comissão e que tinham a imagem de Ronaldinho. Ele, novamente, negou o envolvimento com a empresa. Segundo o ex-jogador, o contrato de licenciamento de imagem era para uma empresa de venda de relógios. Ronaldinho, no entanto, afirmou não ter entrado na justiça pelo uso indevido de imagem, mas que pretende fazê-lo quando os sócios forem encontrados. Segundo informações da própria CPI, o paradeiro deles não é conhecido.
– Eu gravei pra campanha dos relógios, eles pegaram a foto e usaram aí – afirmou.
O jogador, entretanto, se manteve em silêncio sobre vários outros questionamentos feitos pelos deputados.
Por Lucas Magalhães e André Barroso, ge — Brasília
