Nino revela noite em claro, mas tranquiliza torcida do Fluminense: “Provavelmente vou estar na final”
Em entrevista ao Esporte Espetacular, zagueiro explica lesão sofrida quando estava com a seleção brasileira, agradece ajuda da fisioterapia pelo tempo curto de recuperação e repassa vida no Fluminense
Nino não dormiu bem na noite de 14 de outubro, quando sofreu uma entorse no joelho esquerdo enquanto treinava com a seleção brasileira de Fernando Diniz. O zagueiro e capitão do Fluminense pensou nos 21 dias que separavam a dor daquele treino para a final da Conmebol Libertadores, contra o Boca Juniors. Agora, pouco mais de duas semanas depois do estiramento no ligamento cruzado posterior, está otimista para a presença na decisão.
– E aí foi a noite sem dormir, porque só ia saber no outro dia. Naquele momento, tudo isso poderia ter acontecido (lesão mais grave). (…) É muito difícil cravar, mas eu acho que não (corre risco de ficar fora). Pelo andar da carruagem, pela maneira como eu tô evoluindo, se as coisas correrem como o planejado, provavelmente eu vou estar na final, sim.
A lesão foi grave e normalmente é necessário de quatro a seis semanas de recuperação, mas não precisou de cirurgia. Nino iniciou a transição nesta semana e passou a treinar com bola junto dos jogadores que não viajaram para Belo Horizonte para enfrentar o Atlético-MG. O coordenador do departamento médico do clube, doutor Douglas Santos, também tranquilizou e deixou a torcida otimista em ter o capitão em campo na final.
– O tempo de recuperação gira em torno de quatro a seis semanas, mas graças ao tratamento intensivo feito pelo departamento médico, tem a esperança e grande chance que mesmo nesse prazo a gente consiga colocar ele para jogar na final do dia 4. Tem bastante chance que ele participe dessa final – explicou o médico Douglas Santos.
Doutor Douglas Santos, chefe do departamento médico do Fluminense — Foto: Reprodução/Fluminense
O processo de recuperação de Nino foi acelerado por causa do jogo mais importante na carreira do zagueiro e capitão tricolor de 26 anos, mas também graças a métodos inovadores. O fisioterapeuta Nilton Petrone, o Filé, e o departamento de fisiologia do clube utilizam luzes coloridas de LED e aplicam laser no joelho do defensor tricolor.
– O Filé sem palavras… A história dele, o conhecimento e a equipe que ele tem aqui… De Caio, Raposo, Vinicius, Rolf, Jorge, Tupi… Caras que se dedicam muito estão todo dia aqui com a gente, sempre preocupados com o que acontece, e são os principais responsáveis pra que hoje eu esteja fazendo academia, comecei a correr ontem, e tenho tudo pra estar muito bem no dia 4.
Como está na recuperação e fora dos jogos do Campeonato Brasileiro, Nino concentra os esforços em ficar 100% e também no adversário argentino. Mas, acima de tudo, sabe que o Fluminense precisa ficar atento no Boca e também nas próprias forças.
– A equipe do Boca mostra ser muito valente, que não se dá por vencida, que briga até o fim. Ficou com um a menos contra o Palmeiras em grande parte do segundo tempo, conseguiu segurar o resultado e levar para os pênaltis. Sabemos que vamos enfrentar uma equipe assim, muito aguerrida, que vai lutar por cada bola, e a gente está preparado pra fazer isso também. Sabendo que vai ser um jogo diferente, que as coisas vão se decidir somente em 90 minutos, e que a gente precisa estar no limite. No limite da atenção, do foco e da união dentro do campo, para que os detalhes possam decidir a nosso favor.
Nino é o segundo jogador que está há mais tempo no atual elenco do Fluminense, atrás apenas de Ganso. No clube, viveu momentos difíceis como luta contra o rebaixamento, mas agora está quase na outra ponta, da principal glória do Flu, mas sem esquecer quem estava lá atrás.
– A gente brigou pra não cair naquele primeiro ano, o clube com dificuldades financeiras e uma reestruturação. Eu passei momentos muito difíceis no clube. Em 2020 e 2021 também com excelentes grupos, comandantes, mas o clube ainda se reestruturando, ainda muito distante desse sonho da Libertadores. Eu vivenciei cada etapa dessas 100%, aproveitando cada pequeno objetivo alcançado e sofrendo a cada revés. Chegar aqui hoje na final é muito especial. Saber que vou representar milhões de torcedores que têm esse sonho, que eu represento outros companheiros que não estão mais no Fluminense, mas que fazem parte dessa caminhada de reestruturação. É muito importante para mim, me sinto muito honrado, e consigo entender exatamente o que isso representa para o clube.
Por Felipe Siqueira e Marcelo Courrege, ge — Rio de Janeiro

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