Saiba por que o Mirassol não usa jogadores da base há dois anos no profissional
Time do interior paulista amargou rebaixamento no Paulistão Sub-20 no último fim de semana
Não é segredo para ninguém que o Mirassol vive atualmente o auge da sua história de 100 anos. O protagonismo recente do time do interior paulista no futebol profissional é totalmente oposto nas categorias de base.
O clube está há mais de dois anos sem usar um jogador da base no time principal. A última vez foi há 934 dias, quando o lateral-direito Wesley Santos entrou nos minutos finais do jogo contra o Palmeiras, no Paulistão de 2024.
Depois disso, atletas formados na base entraram em campo em partidas da Copa Paulista de 2024. O Leão, no entanto, disputou tal torneio, que é profissional, com um time alternativo, composto por reservas e jovens.
Alguns dos jogadores da base que entraram em campo naquela competição foram: Sidnei, Andrey David, Miguel Silva, Mateus Ortega e Kerlon. Nenhum deles chegou a atuar no time profissional depois. Todos já não fazem mais parte do elenco.
Na temporada de 2025, quando o Mirassol foi a sensação do Brasileirão, nenhum jogador da base entrou em campo. Em 2026, a realidade é a mesma.
Sobe lá, desce cá
A ascensão do Mirassol no cenário do futebol brasileiro foi simultânea à queda nos resultados dos times de base.
Em 2022, o Leãozinho chegou às quartas de final da Copa São Paulo de Futebol Júnior, em sua melhor campanha na história. No ano seguinte, eliminação nas oitavas de final. Em 2024, ano do acesso à Série A do Brasileiro, o Mirassol foi eliminado na segunda fase da Copinha para o Grêmio.
Em 2025 e 2026, as quedas foram na terceira fase para Criciúma e América-RN, respectivamente, em anos que o time profissional voltava suas atenções para a Série A do Brasileiro.
Mirassol x Sport, Copinha 2026 — Foto: JP Pinheiro/Agência Mirassol
O ponto mais baixo do Leão na base aconteceu no último fim de semana, quando o time foi rebaixado para a Série B no Paulistão Sub-20. O Mirassol foi o lanterna do Grupo 1 com campanha de uma vitória, quatro empates e oito derrotas.
Os momentos contrastantes no profissional e na base não são coincidência. Com o acesso inédito para a Série A do Brasileiro, o sarrafo de investimentos do time principal aumentou bastante.
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Jogadores do Mirassol comemoram gol no Brasileirão 2025 — Foto: @savyomiguel | Savyo Miguel
O Mirassol teve a segunda menor folha do Brasileirão de 2025 com cifras de R$ 4,1 milhões. O esforço para atingir esse valor foi muito maior do que o dos concorrentes, já que as receitas dependem muito das cotas das competições.
O clube teve receita média inferior a R$ 1 milhão por mês com patrocínios no ano passado. Com receitas menores que os adversários, não sobrou muito dinheiro para as categorias de base.
Também houve investimento recente no estádio José Maria de Campos Maia, o Maião, com a modernização geral e a construção de camarotes de luxo de R$ 6 milhões.
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Time sub-20 do Mirassol foi rebaixado no Paulistão da categoria — Foto: JP Pinheiro/Agência Mirassol
Em 2026, os gastos foram ainda maiores, já que, pela primeira vez na história, o Leão disputou quatro competições: além do Paulistão, Copa do Brasil e Brasileirão, teve a inédita Libertadores.
Neste ano, o Mirassol também passou a ter outro departamento para investir: o futebol feminino, que virou obrigação da Conmebol para o clube disputar a Libertadores. Com isso, a fatia da base ficou ainda menor.
O planejamento financeiro do clube é rigoroso e, mesmo sem investidores e sem ser uma SAF, é um dos raríssimos do país sem nenhuma dívida.
Curiosamente, a escalada de sucesso do Leão foi impulsionada justamente por uma venda proporcionada pela base: o clube faturou R$ 5,4 milhões com a negociação de Luiz Araújo do São Paulo com o Lille. O atacante, que hoje está no Flamengo, atuou na base do Mirassol e rendeu uma porcentagem da transação.
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Luiz Araújo em ação na base do Mirassol — Foto: Reprodução/Instagram
A maior parte do valor recebido foi usada para a construção de um centro de treinamento moderno, que foi inaugurado em 2018.
Voltando a 2026, o Mirassol segue não demonstrando precisar da sua base no time profissional. Neste ano, não há nenhuma joia que esteja próxima de quebrar o tabu de mais de dois anos sem revelações na equipe principal. O cenário, portanto, deve se manter nos próximos meses do ano.
Por Arcílio Neto — Mirassol, SP

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