Samuel Eto’o: como o ídolo de Camarões virou um controverso dirigente que acumula poder
Ex-atacante colecionou polêmicas ainda como jogador antes de virar a figura mais importante fora de campo no país que agora enfrenta o Brasil
Samuel Eto’o Fils foi um dos grandes centroavantes que o futebol conheceu nos últimos anos. Ambidestro, veloz, forte, tinha características de jogo que atualmente encantariam qualquer treinador.
Mas ele não joga mais. Aos 41 anos, trocou o campo e o uniforme de jogo pelo terno e por uma sala com ar-condicionado, de onde comanda o futuro da seleção de Camarões, a próxima adversária do Brasil – sexta-feira, às 16h (de Brasília), na rodada que encerra a primeira fase da Copa do Mundo.
Desde 2021, o ex-jogador de clubes como Barcelona, Inter de Milão e Chelsea é presidente da Federação Camaronesa de Futebol (Fecafoot, na sigla em francês). Um dos maiores jogadores da história do país, ao lado da lenda Roger Milla, ele trocou o papel de ídolo pelo de um dirigente controverso, envolvido em inúmeras polêmicas.
Artilheiro, vencedor e ídolo
Samuel Eto’o começou a carreira no modesto Kadji, no Camarões. Aos 16 anos, transferiu-se para a base do Real Madrid, quando começou a chamar a atenção. Mas seria no rival Barcelona que o atacante faria sucesso até ser eleito o terceiro melhor jogador do mundo em 2005, ficando atrás de Frank Lampard e do vencedor Ronaldinho Gaúcho.
Antes de chegar ao Barça, na temporada 2004/05, Eto’o passou por Leganés, Espanyol e Mallorca, além de uma breve passagem sem muitas chances pelo Real Madrid. Em 2000, foi campeão olímpico com Camarões ao eliminar o Brasil nas quartas de final.
Em cinco temporadas pelo Barcelona, que tinha Ronaldinho Gaúcho como grande astro ao lado de Xavi e Iniesta, entre outros, Eto’o fez 129 gols em 199 jogos. Foram oito títulos: três Espanhóis, duas Ligas dos Campeões, duas Supercopas da Espanha, além de uma Copa do Rei.
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Ronaldinho Gaúcho e Eto’o formaram dupla de sucesso no Barcelona — Foto: Getty Images
Pela seleção de Camarões, Eto’o disputou quatro Copas do Mundo (1998, 2002, 2010 e 2014), ficando fora das edições de 2006 e 2018, quando os camaroneses não conseguiram classificação. Em quatro Mundiais, foram oito jogos e três gols marcados, com uma vitória, um empate e seis derrotas.
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Samuel Eto’o em ação pela seleção de Camarões — Foto: Reuters
Apesar das más campanhas em Copas, Eto’o colocou Camarões em outra prateleira no futebol africano, conquistando, além do outro olímpico, duas Copas das Nações Africanas (2000 e 2002). Tornou-se ainda o maior artilheiro da história da seleção, com 56 gols em 119 jogos.
Samuel Eto’o fez 876 jogos como jogador profissional, marcando 474 gols e conquistando 19 títulos.
Rolê aleatório em Ribeirão Preto
Prestes a encerrar a carreira como jogador profissional, o que aconteceria em 2019, Samuel Eto’o esteve no Brasil para disputar um dos mais tradicionais clássicos do futebol do interior de São Paulo: o Come-Fogo, entre Comercial e Botafogo, ambos de Ribeirão Preto, cidade quase 300 quilômetros distante da capital paulista.
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Eto’o com as camisas de Comercial e Botafogo em amistoso disputado em Ribeirão Preto — Foto: Célio Messias/Agência Estado
Em uma ação promovida por uma rede social, o camaronês jogou 45 minutos por cada equipe. Diante de pouco mais de 3 mil pessoas no estádio Santa Cruz, Eto’o marcou um gol pelo Comercial e dois pelo Botafogo, em confronto que acabou empatado por 3 a 3 e também teve a participação do ex-meia Raí, irmão de Sócrates.
– Fico feliz, essa é minha função. Mas o mérito é dos companheiros que me passaram a bola. Estou muito emocionado, pois nunca tinha jogado uma partida como essa – disse o atacante logo após a partida no interior de São Paulo.
Na época, Eto’o defendia o Antalyaspor, da Turquia, seu antepenúltimo clube antes da aposentadoria oficial, no Catar, justamente o país que recebe a Copa do Mundo de 2022.
Da revolta ao poder
Antes mesmo de se tornar presidente da Federação Camaronesa de Futebol, Eto’o sempre esteve envolvido em questões extracampo – ainda quando atuava profissionalmente. O ex-atacante chegou a brigar com um jornalista e ser suspenso após acusação de supostamente ser o líder de uma greve dos jogadores.
Por Emilio Botta — São Paulo
