Serial Killer: réu se diz inocente durante sétimo júri em Maceió
Réu, que já soma mais de 100 anos de prisão em condenações anteriores, voltou a negar participação no crime e disse que confissão ocorreu sob pressão
O sétimo júri popular de Albino Santos ocorre nesta quinta-feira (5), no Fórum da Capital, em Maceió. O julgamento começou por volta das 9h e analisa o assassinato da idosa Maria da Conceição, de 71 anos, crime registrado em 2019.
Durante o interrogatório, Albino voltou a negar participação no caso e afirmou ser inocente. O réu declarou que não existem provas conclusivas que o liguem diretamente ao crime e alegou que uma confissão anterior teria sido feita sob pressão.
Segundo ele, no momento em que assumiu a autoria, estava em uma cela em condições precárias na delegacia. “Não há nenhuma prova concreta que diga que fui eu. No dia da confissão eu estava numa cela com chão gelado, cheio de mosquitos, e acabei dizendo para colocarem logo a culpa em mim. Depois pensei melhor e decidi desfazer isso, porque não fui eu”, afirmou.
A única testemunha da acusação, Evilásio — filho da vítima — compareceu ao fórum, mas foi dispensado pelo juiz responsável pelo júri. Ele preferiu não falar com a imprensa por medo.
Durante o interrogatório, o promotor Antônio Vilas Boas questionou as declarações do acusado e destacou que a decisão sobre a culpa ou inocência cabe ao conselho de sentença, formado pelos jurados.
O representante do Ministério Público também relembrou condenações anteriores do réu e mencionou a existência de provas técnicas em outros processos. Albino, por sua vez, contestou alguns pontos e voltou a citar episódios em que afirma ouvir vozes, associando algumas ações ao que chama de orientações do “Arcanjo Miguel”.
Ao ser questionado sobre anotações encontradas em seu celular com nomes e datas de possíveis vítimas, incluindo a mulher cujo caso está sendo julgado agora, o réu afirmou que as marcações teriam sido feitas pelo “Arcanjo Miguel”.
Histórico de crimes e condenações
Ex-agente penitenciário, Albino Santos está preso desde setembro de 2024 e responde por uma série de assassinatos ocorridos em Maceió. Ele é acusado de matar pelo menos 10 pessoas, embora algumas investigações apontem suspeitas de até 18 mortes.
De acordo com as investigações, o acusado teria como alvo principalmente mulheres jovens e morenas, utilizando redes sociais, como o Instagram, para observar e acompanhar possíveis vítimas.
Após uma nova condenação em novembro de 2025, a soma das penas contra Albino chegou a aproximadamente 151 anos de prisão. Entre as sentenças mais recentes está a condenação de 24 anos e seis meses pela morte da adolescente Ana Clara Santos, julgada em julho de 2025. Meses depois, em novembro do mesmo ano, outra decisão judicial acrescentou mais 24 anos e 11 meses à pena total.
Mesmo com as condenações já impostas, Albino continua sendo levado a julgamento por outros crimes atribuídos a ele. A expectativa é de que, ao final das próximas sessões do tribunal do júri, o total de anos de prisão possa aumentar ainda mais, caso novas condenações sejam confirmadas.
