Só miopia impede perceber o sucesso dos Brasileiros por pontos corridos

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Perguntas sobre ter final entre campeões de turnos não fazem sentido em campeonatos em que os dois turnos são vencidos pelo mesmo clube

Uma pergunta endereçada aos técnicos Abel Ferreira, na segunda-feira, e Dorival Júnior, na quarta, questionava sobre a hipótese de, no futuro, haver final entre os campeões do primeiro e segundo turnos, para dar mais graça à reta de chegada do Campeonato Brasileiro. Com todo o respeito ao repórter, de nome aqui desconhecido (perdão), não faz o menor sentido.

Preste atenção. Em 2022, o campeão do primeiro turno foi o Palmeiras e o líder do returno também é o Palmeiras. Em 2021, o campeão do turno e do returno foi o mesmo, o Atlético. O mesmo vale para 2019. Verdade que em 2020, o São Paulo terminou na frente a primeira metade e o Flamengo na segunda parte, mas o Brasileiro terminou na última rodada. Foi emocionante.

É inacreditável que depois de vinte edições de Brasileiros de pontos corridos ainda tenha gente não se conformando com o crescimento do formato. Há 21 mil pessoas de média de público, o que provavelmente fará este campeonato terminar como segunda — ou terceira — maior média de espectadores da história.

Dá para ser ainda melhor, com estudo sobre o que leva e tira gente das arquibancadas. Um campeonato é uma plantinha, que tem de ser molhada todos os dias. Neste caso, pode crescer frondosa.

Dos dezenove Brasileiros por pontos corridos, onze tiveram o campeão do turno diferente do campeão do returno. Destes, seis terminaram na última rodada, com muita emoção. Logo, não seria o caso de mudar a fórmula. Nove tiveram o mesmo campeão do turno e do returno, ou seja, não fazia sentido tirar o título de quem o conquistou de ponta a ponta. Ou seja, só quatro de 19 torneios terminaram antes da última rodada e com dois vencedores de turno diferentes.

Os mata-matas espalham-se pela temporadan, na Copa do Brasil, Libertadores e estaduais. O Brasileiro dá a previsibilidade para os departamentos financeiros dos clubes e torcedores saberem que terão 38 jogos sempre, sem o risco de passarem três meses sem jogos, como acontecia antes. É hora de aperfeiçoar o que está dando certo. Não discutir a volta ao passado.

Por PVC

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