Terra nega gabinete paralelo e diz que Bolsonaro lhe faz perguntas ‘de vez em quando’
CPI da Covid quer saber se deputado integrou o grupo suspeito de ter dado ao presidente Jair Bolsonaro conselhos contrários à ciência e ineficazes.
Por Marcela Mattos, Beatriz Borges e Sara Resende, G1 e TV Globo — Brasília
O deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) negou nesta terça-feira (22) na CPI da Covid a existência de um gabinete paralelo de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro na pandemia. Terra disse ainda que o presidente “de vez em quando” lhe pergunta “alguma coisa”.
A CPI quer saber se Terra, que é médico, integrou um gabinete paralelo ao Ministério da Saúde que deu a Bolsonaro conselhos sobre a pandemia ineficazes e contrários à ciência.
O deputado, desde o início da pandemia, foi um conselheiro de Bolsonaro. Ele deu entrevistas ao lado do presidente e participou de reuniões sobre medidas para conter o vírus.
Um vídeo de uma reunião no Palácio do Planalto, em setembro de 2020, mostra Bolsonaro acompanhado de Terra e médicos na qual foram manifestadas opiniões contra a vacina; a favor de medicamentos ineficazes contra a doença; e a criação de um “shadow cabinet” (gabinete das sombras em tradução literal).
“A relação que eu tenho com o presidente é uma relação de amizade que ele tem com muitos outros deputados. Fui ministro, gosto do presidente, tenho simpatia por ele. Quando, de vez em quando, o presidente me pergunta alguma coisa, e eu acho que tenho que falar, eu falo”, disse Terra à CPI quando questionado sobre o gabinete paralelo.
Terra afirmou ainda que não tem o poder de determinar o que Bolsonaro vai falar sobre a pandemia.
“O presidente fala o que ele quer falar, ele fala do jeito que ele entende. Eu não tenho poder sobre o presidente de: ‘O senhor vai falar isso, vai falar aquilo’. Isso não existe, se eu tivesse esse poder, eu era o presidente e ele era deputado”, prosseguiu Terra.
