Transformado, o Atlético-MG das Copas está em duas finais

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O Atlético-MG que administrou a grande vantagem construída em casa e chegou à final da Libertadores teve a cara de um time que se reconstruiu ao longo da temporada: a cara do Atlético-MG das copas. Pode não ser uma equipe de atuações sempre vistosas, mas que após oscilações grandes ao longo deste 2024 encontrou uma forma de competir nos mata-matas, com muito volume ao jogar em casa e muita capacidade de limitar as situações de perigo dos rivais quando atua como visitante. O resultado são duas finais: jogará pelo tricampeonato da Copa do Brasil e pelo bi da Libertadores.

Claro que o ideal teria sido ver, em Buenos Aires, o Galo com mais períodos de posse de bola, permitindo que menos ações ocorressem perto de sua área. Também é justo dizer que o Atlético-MG não planejou sofrer mais de 30 finalizações. Mas não é razoável analisar uma partida de futebol que começa com um 3 a 0 a favor de um dos times como se fosse uma ocasião comum. O jogo da ida condicionou o comportamento dos times, e tampouco é simples lidar com um estádio lotado por mais de 80 mil pessoas. Salvo um período no início do segundo tempo, em que construiu a melhor jogada ofensiva da partida no chute de Gustavo Scarpa no travessão, o Atlético-MG passou boa parte do tempo defendendo sua área. Das finalizações do River Plate, poucas geraram a sensação de real perigo, muitas foram bloqueadas por defensores. Não houve um momento do jogo em que o gol pareceu prestes a acontecer, ou que os visitantes parecessem sofrer demais. E, no primeiro tempo, Deyverson ainda sofreu um pênalti não marcado.

Chega à final da Libertadores, acima de tudo, um Atlético-MG que se fortaleceu defensivamente, quase sempre numa estratégia montada a partir de encaixes individuais de marcação. É curiosa a temporada do time desde a chegada de Gabriel Milito. A arrancada foi muito promissora, especialmente pela capacidade de criar oportunidades de gol, pelos riscos assumidos, pelo jogo ofensivo. Até que a Copa América trouxe um período de terríveis desfalques e escassez de peças, entre convocações e lesões. O time parecia exposto defensivamente, sem solidez, distante de seu momento mais criativo. Mas, ainda assim, foi caminhando nas copas. A volta dos titulares não trouxe de volta o melhor nível da equipe, mas havia transformações. Primeiro, no elenco. A janela de meio de ano trouxe jogadores que se tornariam titulares: Junior Alonso, Deyverson, Lyanco e Fausto Vera.

Em campo, Milito fez um time extremamente capaz de negar oportunidades aos adversários. E que viveu dois grandes momentos jogando em casa pela Libertadores: no domínio completo que impôs diante do Fluminense, e num jogo de precisão para aproveitar as chances que criou nos 3 a 0 sobre o River Plate, partida que era igual até o Galo fazer seu segundo gol em uma belíssima construção.

Em Buenos Aires, contribuiu para a estratégia do Galo um River Plate com poucos recursos ofensivos para furar o bloqueio dos mineiros. Ao todo, foram 70 cruzamentos no jogo, algo que realçou a excelente atuação de Battaglia no centro da defesa. Lyanco teve alguma dificuldade com as trocas de posição entre Colidio e Meza, perdendo a referência em seu encaixe de marcação. Ainda assim, salvo uma bola parada no início do jogo e um período da segunda etapa em que as entradas de Echeverri e Mastantuono fizeram o River Plate crescer, a sensação era de que o jogo chegaria ao fim sem que o Atlético-MG tivesse sua classificação ameaçada.

O Galo que voltará a Buenos Aires no dia 30 de novembro tem talentos suficientes para decidir a final a seu favor e ganhar o bicampeonato da América. Confirmada uma final brasileira contra o Botafogo, não será favorito, tampouco azarão. Individualmente, um time com Scarpa, Hulk, Paulinho e Arana pode bater qualquer rival num duelo de 90 minutos. Ainda que, na média deste 2024, o Botafogo tenha jogado em melhor nível por mais tempo. Mas o time de Milito parece pronto para competir, negar espaços, criar duelos pelo campo que têm deixado rivais desconfortáveis. E terá sempre poder de fogo no ataque. A reta final de 2024 reserva ao torcedor atleticano uma sequência de finais que, em dado momento, pareceu inalcançável.

 

 

Por Carlos Eduardo Mansur, ge

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