Troca de mensagens indica que diretor da Precisa enviou ‘passo a passo’ a lobista para destravar negociação no Ministério da Saúde
Relatório da CGU aponta ‘evidências da tentativa de interferência’ em processo de licitação para beneficiar empresa investigada pela CPI da Covid
Mensagens de WhatsApp em posse da CPI da Covid e obtidas pelo GLOBO mostram que o diretor institucional da Precisa Medicamentos, Danilo Trento, enviou a um lobista de Brasília um “passo a passo” com instruções sobre como uma pessoa de apelido “Bob” atuaria, dentro do Ministério da Saúde, para destravar o processo de compra de 12 milhões de kits de reagentes para exames de Covid-19. Na mensagem, Trento detalha o processo, que deveria ser feito “a toque de caixa”.
As mensagens constam de relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) que apurou irregularidades na pasta. Segundo o órgão, “Bob” seria uma referência ao então diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias. Trento e Dias já são investigados pela CPI por outro episódio: a compra da vacina indiana Covaxin pelo governo, que contou com intermediação da Precisa.
Segundo relatório da CGU, há “evidências da tentativa de interferência” no processo de compra dos testes, “com a ajuda de Roberto Ferreira Dias”, para beneficiar a Precisa. O documento ressalta que a CGU não identificou se houve ou não benefícios financeiros pela interferência. O material foi compartilhado com a CPI pelo Ministério Público Federal do Pará no âmbito de uma investigação sobre corrupção no estado.
Apesar das investidas do grupo, o contrato para a compra dos 12 milhões de testes não foi fechado. Pouco mais de sete meses depois, a Precisa participou da assinatura de um contrato de R$ 1,6 bilhão para a vacina indiana Covaxin.
