Único brasileiro no Inter Miami tem mãe palmeirense e vive bastidores de Messi: “Coisa maluca”

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Quando deixou o Brasil pelos Estados Unidos aos 13 anos de idade, Leo Afonso, ainda sem base, sonhava com a carreira de atleta, mas jamais imaginou conquistar o que vive agora.

Eu sonhava em ser jogador profissional, mas nunca que um dia estaria no time do Messi. Acho que ninguém sonha isso, porque é uma coisa tão maluca de acontecer. Eu ainda dou uns beliscões no braço para ver se é verdade.
— admite o atacante, agora aos 23 anos, em entrevista exclusiva ao ge.

Único brasileiro no elenco do Inter Miami, nos Estados Unidos, Leo compartilha bastidores do craque argentino, o choque do primeiro encontro e conselhos colecionados, enquanto vive a Copa do Mundo de Clubes sob os olhares da mãe e da avó, palmeirenses de décadas.

Inter Miami e Palmeiras se enfrentam às 22h desta segunda-feira, pela última rodada da fase de grupos da Copa. Basta um empate para ambas se classificarem às oitavas.

A trajetória de Leo é capaz de explicar a incredulidade com o próprio destino: até pouco mais de um ano ele estava na faculdade, cursando Relações Internacionais e Empreendedorismo, enquanto jogava por uma equipe universitária.

Viveu até os 13 anos em São Paulo, mudando-se antes da Copa de 2014 sem ver uma partida ou passar pela base de qualquer time do país. Atuou no máximo pelo clube social do São Paulo. Nos Estados Unidos, passou por Philadelphia Union e o próprio Inter Miami, na base, antes da Universidade da Virginia, onde esteve por três anos e meio até se inscrever no Draft da MLS.

Trata-se de um evento anual onde os clubes da liga selecionam atletas de equipes universitárias, e assim o Inter Miami o escolheu, primeiro para o time B e pouco depois no profissional. Já era desde aquele momento, porém, o “time de Lionel Messi”.

Pessoas que eu não via há cinco, 10 anos, me mandavam mensagem: “Você está jogando com o Messi? Como que é?”
— recorda o brasileiro.

Era recém-chegado da faculdade, de uma equipe universitária e, naturalmente, viveu o impacto do encontro desde o primeiro dia.

Eu pensava: será que vou ver ele no treino? E ele apareceu e eu gelei. Me deu um passe no treino que eu fiquei parado, pensando: caramba. Nunca imaginei que iria não só conhecer o Messi, como iria estar jogando com ele. É louco. Não tem palavra para descrever o que ele faz.

Leo Afonso, na ponta direita, comemora gol ao lado de Suarez, Messi e Busquets — Foto: Inter Miami

Passado o choque do primeiro impacto, a presença do camisa 10 virou rotina para o brasileiro, que agora desfruta do comportamento de um multicampeão e guarda como ouro todo conselho vindo do companheiro de equipe.

– Ele me falou para toda vez que ele estiver com a bola, eu correr na diagonal que ele vai me achar ou vou criar espaço. E o Busquets me fala: toda vez que o Messi pegar a bola, corre que ele sabe botar a bola em você – relata.

Na Copa do Mundo de Clubes, Léo figurou como opção no banco em ambas as partidas do Inter Miami, com o empate na estreia diante do Al Ahly e a vitória sobre o Porto, de Portugal, que deixou a equipe em segundo lugar do Grupo A. Sonha agora, na rodada final, em ter uma chance no confronto com o Palmeiras, que tanto o acompanhou quando mais novo no Brasil.

Apesar do tempo curto em São Paulo, ele chegou a frequentar jogos com a mãe e a avó palmeirense, além de outros do São Paulo, porque o Morumbi estava mais perto de casa.

Minha mãe sempre faz comentários brincando: “ah, vai jogar no Palmeiras”, minha avó também quer que eu jogue no Brasil, mas eu não sei, Deus que sabe. Para onde tem que ir, eu vou.
— conta Leo, repetindo as cobranças aos risos.

Leo Afonso ao lado da família após a conquista do Supporter’s Shield com o Inter Miami — Foto: Arquivo Pessoal

Às 22h desta segunda-feira, a família pode ter a chance de vê-lo em campo contra o Alviverde pela primeira vez. Em uma noite, marcante não só para os parentes, mas que o próprio atacante admite ansiar.

– Acho que vai ser um teste bom para o nosso time e para mim, principalmente, porque cresci assistindo o futebol brasileiro. Acho que o Palmeiras vai ser o mais difícil porque é um time que tem muitos jogadores talentosos, muita habilidade e é um futebol diferente, que acho que a gente na Liga aqui ainda não viu.

Por Camila Alves e Larissa Carvalho — São Paulo

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