Como recusa à proposta do Palmeiras impacta futuro de Danilo no Botafogo
Jogador é um dos principais ativos do clube, que negou investida de rival brasileiro e prioriza venda para a Europa
O Botafogo recusou a proposta de 28 milhões de euros (R$ 162 milhões na cotação atual) do Palmeiras por Danilo, que entrou em campo na noite desta quinta-feira contra o Vitória, pelo Brasileirão, e agora não pode mais defender outro clube na competição. O futuro do volante, porém, ainda é incerto.
O clube carioca entende que o valor de mercado do jogador varia entre 35 e 40 milhões de euros (R$ 203 milhões e R$ 232 milhões) – para clubes brasileiros ou estrangeiros. Segundo apurou o ge, os agentes de Danilo devem buscar times interessados no exterior para uma transferência ainda nesta janela.
A janela de transferências de verão do futebol europeu para a temporada 2026/27 fecha no dia 31 de agosto de 2026 ou em 1º de setembro de 2026, dependendo da liga. O jogador se manifestou após o jogo de quinta:
– Feliz por estar de volta, respeitei a decisão do Botafogo de não ser vendido para o Brasil. Espero que o Botafogo, agora, respeite a minha decisão de não ir para a Rússia nesse momento.
O Zenit monitora Danilo há alguns meses e sinalizou interesse em formalizar uma proposta. Os valores colocados na mesa eram semelhantes aos do Palmeiras. Só que a ida para a Rússia não está nos planos do jogador neste momento, e o estafe procura outros interessados. Não houve conversas após a abertura da janela.
Projetando uma venda para Europa, há o entendimento de que o desempenho de Danilo na Copa do Mundo não ajudou na busca por um clube de ponta no Velho Continente. Além disso, a passagem discreta pelo Nottingham Forest pesa contra o jogador.
As recentes sondagens de Galatasaray (Turquia), Roma, Como e Atalanta (Itália) não avançaram. O Newcastle (Inglaterra) pode negociar Bruno Guimarães, que tem os mesmos agentes de Danilo, com o Arsenal. O nome do jogador do Botafogo até foi colocado na mesa para ser o substituto, mas não empolgou os ingleses, principalmente devido aos valores envolvidos.
Pessoas influentes na negociação não acreditam na possibilidade de algum clube europeu fazer uma proposta semelhante à do Palmeiras. Diante deste cenário de dificuldade, a permanência de Danilo no Brasil para encerrar a temporada não está descartada.
Troca de comando no Botafogo
A iminente chegada da GDA como investidora da SAF foi um dos principais motivos para a mudança de planejamento do clube carioca. Inicialmente, a decisão era vender Danilo necessariamente nesta janela de transferências devido a uma crise financeira vivida pelo clube.
O planejamento para a saída de Danilo começou quando John Textor ainda estava no comando. O clube tinha a venda como uma garantia das finanças para o segundo semestre. No entanto, o cenário mudou com a GDA, que apesar de não ter tido a venda oficializada, dita as regras nos bastidores.
A empresa de Gabriel de Alba já realizou aportes no Botafogo e, com isso, houve uma melhora do fluxo de caixa. Neste cenário, pessoas influentes no clube, que mantém diálogo aberto e direto com o empresário mexicano, entenderam que pode ser possível segurar o jogador até a próxima janela.
As negociações são tocadas por Léo Coelho (diretor de gestão esportiva) e Deive Bandeira (diretor de trading), com a palavra e decisão final sendo de Eduardo Iglesias (diretor da SAF). No caso de Danilo, João Paulo Magalhães Lins (presidente do associativo) acompanhou de perto e se posicionou de forma firme contra a venda.
Iglesias e JP são o elo direto com Gabriel de Alba. Internamente, há também o entendimento de que Danilo precisará ser vendido na janela do fim do ano. Ele é o principal ativo do Botafogo no mercado, ao lado de Montoro.
Houve também a resistência em vender Danilo direto para o Palmeiras, considerado pelo Botafogo um rival direto no futebol brasileiro. Recentemente, o clube carioca negociou Marlon Freiras e Alexander Barboza com o clube paulista, e as negociações repercutiram bastante nos bastidores.
Por Letícia Marques — Rio de Janeiro
