Flamengo faz partida de líder, mas Grupo E deixa lições com segundo lugar inesperado

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A postura do Flamengo foi exemplar contra o Millonarios. Marcou alto, aproveitou os muitos erros dos colombianos e construiu uma fácil vitória por 3 a 0, que garantiu a classificação às oitavas de final da Libertadores ainda no primeiro tempo. Como não teve esse nível em outros três jogos, acabou como segundo colocado de uma chave na qual era o melhor time.

O time de Tite deixou de vencer um jogo contra este mesmo Millonarios quando tinha 1 a 0 no placar e um homem a mais. Perdeu para o Palestino em um duelo em que teve mais oportunidades. E, mesmo na altitude de La Paz, poderia ter se saído melhor se alguns titulares não tivessem sido poupados. Apesar da atuação de líder nesta terça-feira, fica a sensação de que cabia mais para um grupo no qual o abismo técnico entre o Flamengo e seus adversários era gritante.

 

Oportunismo e inteligência fazem diferença

 

Com marcação alta, o Flamengo não saiu do campo de defesa do Millonarios. E esse posicionamento com o bloco lá em cima foi fundamental para o placar ser aberto logo no início. Ligado, Pedro observou recuo ruim de Giraldo, acreditou na jogada e se antecipou ao goleiro Montero para tocar entre as pernas e empurrar para a rede. Falha feia dos colombianos.

Além da postura ofensiva do Flamengo, o sistema defensivo do Millonarios dava muito espaço. Os meias rubro-negros recebiam com muita liberdade. Tamanha tranquilidade permitia a David Luiz avançar ao ataque para ajudar na construção. Em uma dessas subidas, foi ao fundo e atrasou a Gerson no timing certo. O meia cruzou, e o adversário ajudou com um desvio de Vargas para a própria rede.

Com a classificação muito bem encaminhada, o Flamengo dominava todas as ações, mas não abria mão de jogar. Trocava passes e continuava dando calor nos defensores do Millonarios. Pedro, Gerson e Cebolinha baixando para disputar bola na faixa central do campo foi cena que se repetiu algumas vezes.

O terceiro gol veio sem nenhuma “ajudinha” do Millonarios. Mérito total de Viña e Pedro. O uruguaio meteu-se no meio de dois adversários, roubou a bola e visualizou os atacantes rubro-negros. O camisa 9 saiu do impedimento e deu opção. O lateral deu belo passe vertical, e o centroavante bateu com perfeição. Um encerramento da etapa com chave de ouro.

Ainda sem brilho, Arrasca cria chances na etapa final

 

O primeiro tempo, apesar dos 59% de posse de bola, domínio territorial e vantagem ampla em finalizações (6 a 2), deixou uma pulga atrás da orelha: por que Arrascaeta seguia tão abaixo, mesmo com tanto espaço para criar?

O segundo tempo e Tite lhe deram oportunidades para tentar reagir. Ainda não foi brilhante, não conseguiu passes geniais, mas criou as duas melhores chances do Flamengo . Em lance de garra, arrastou do meio até à área e deixou Pedro em boa condição. O camisa 9 parou em boa defesa de Montero. No outro, o 14 descolou bonito cruzamento para Luiz Araújo, que chutou por cima.

Talvez fosse interessante que Lorran entrasse mais cedo para aproveitar o momento de crescimento nos profissionais, mas Tite pareceu querer dar mais minutos ao uruguaio e ritmo de jogo para que ele volte a performar em alto nível no Campeonato Brasileiro.

Jogadaça de Cebolinha, e vermelho infantil de BH

 

Embora a etapa tenha mostrado um Flamengo cozinhando o Millonarios em banho-maria, também sobrou tempo para arte e para uma decisão totalmente inexplicável.

Everton Cebolinha protagonizou os lances mais bonitos. Em jogada individual, tirou Alfonzo e Llinás com um único movimento e finalizou no canto esquerdo de Montero. Por pouco, não marcou.

Já Bruno Henrique, ídolo e figura experiente, cometeu erro primário ao entrar por trás e com os dois pés em Paredes. Ficou apenas três minutos em campo. Foi justamente expulso, virou desfalque por pelo menos um jogo no mata-mata, e o gancho pode ser até maior a depender do julgamento. Inaceitável pelo tamanho e a importância de BH.

Vitória contundente, com postura e atuação de líder. Faltou constância para ser o primeiro colocado de fato, e ficam as lições para não sofrer no mata-mata.

Por Fred Gomes, ge — Rio de Janeiro

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