França chega à semifinal com recordes e domina Copa do Mundo com Deschamps
Seleção é a que mais venceu, tem uma derrota nos últimos oito jogos de mata-mata do torneio e está perto de ser primeira bicampeã desde Brasil em 1962. “Não tem segredo”, diz treinador
A que mais venceu. A que menos perdeu. A que mais triunfou no mata-mata. A que mais fez gols. E a primeira que pode ser bicampeã seguida desde o Brasil em 1962. Com Didier Deschamps, a França domina a Copa do Mundo. Nenhuma outra seleção teve melhor desempenho nos últimos três mundiais.
Com o treinador, a França vai para sua nona partida de mata-mata no torneio. Nas oito anteriores, foram oito vitórias, todas no tempo regulamentar, e apenas uma derrota: para a Alemanha, nas quartas de final de 2014.
O retrospecto impressionante da França nos jogos eliminatórios vai além do período com Didier Deschamps. A equipe venceu 15 das últimas 17 partidas de mata-mata que fez. Além dos alemães, os únicos que venceram os franceses nessa fase desde 1998 foram os italianos, na decisão de 2006.
Melhores das últimas três Copas
| SELEÇÃO | PONTOS | VITÓRIAS | EMPATES | DERROTAS |
| FRANÇA | 41 | 13 | 2 | 2 |
| BÉLGICA | 34 | 11 | 1 | 3 |
| BRASIL | 31 | 9 | 4 | 4 |
| ARGENTINA | 30 | 9 | 3 | 4 |
| HOLANDA | 28 | 8 | 4 | 0 |
| ALEMANHA | 26 | 8 | 2 | 3 |
| CROÁCIA | 24 | 6 | 6 | 3 |
| URUGUAI | 22 | 7 | 1 | 4 |
| INGLATERRA | 21 | 6 | 3 | 6 |
| PORTUGAL | 18 | 5 | 3 | 4 |
No entanto, nesse período, a França caiu na fase de grupos em 2002 e em 2010. Com Didier Deschamps, essa irregularidade se foi. Tamanha eficiência deve fazer com o que o técnico, que está desde 2012 no cargo, fique para mais dois anos na seleção. Ele atribui o sucesso apenas à qualidade do elenco.
“Não tem segredo. Precisa da combinação, as coisas têm que estar no lugar. Número 1: tem que ter bons jogadores. Você não vai a nenhum lugar sem bons jogadores”, ressaltou o treinador.
– Precisa também de bom espírito de time. São pequenos detalhes. Talvez um pouco de sorte. Você anda na corda bamba sempre, e espera que tudo dê certo. Brasil e Itália (Únicos bicampeões seguidos) conquistaram há muito tempo. Nós vamos no nosso estilo – avaliou o treinador.
O time que está no Catar coleciona marcas entre seus jogadores. Só nesta Copa do Mundo:
A mão de Deschamps
A França chegou contestada à Copa do Mundo após a fraca campanha na última Eurocopa e a ameaça de rebaixamento na Liga das Nações. Didier Deschamps, mesmo questionado no período, testou formações e escalações diferentes nos últimos meses e encontrou o time ideal.
A equipe atual reinventou Griezmann como meio-campista, tira o melhor de Rabiot e Mbappé, e faz Giroud eficiente. Os veteranos da seleção reiteram que o treinador tem grande influência em manter a competitividade da equipe.
– Nos conhecemos cada vez mais. Ele está sempre atento aos mínimos detalhes. Ele sabe o que espera de mim e eu sei o que posso trazer para o grupo, estamos em constante troca. É uma chance de termos estabilidade, ter esse referencial na seleção por tantos anos – elogia Varane.
Lloris, que fez 106 de seus 143 jogos pela França sob o comando de Didier Deschamps, reforça os elogios ao treinador.
“Ele nos traz sua serenidade. Existe uma relação de confiança com os seus jogadores. Não é por acaso que ficamos tanto tempo à frente da seleção da França, temos qualidades”, disse o goleiro.
A França tem oito jogadores que estavam no elenco de 2018. No time titular, estão cinco deles. Para Deschamps, não é isso que explica o sucesso da equipe atual.
– Eu não gosto de comparar times. Claro, há semelhanças. Alguns jogadores estavam lá. Se alcançamos a semifinal, é porque fizemos bem. Fizemos gols quando enfrentamos dificuldades, conseguimos nos superar. Temos um bom espírito de time. Mostramos que estamos prontos para os desafios que encontramos.
A França tenta a vaga em sua segunda final seguida nesta quarta-feira, contra Marrocos, às 16h (de Brasília), no estádio Al Bayt.
Por Daniel Mundim — Doha, Catar
